
19/07/2022
Em junho passado, Aaron Flansburg sentiu o aumento da temperatura, e sabia o que isso significava para sua colheita de canola.
Integrante da quinta geração de uma família de agricultores no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos, Flansburg cuida de sua plantação de canola para que ela floresça nas semanas frescas do início do verão.
Mas no ano passado, seus campos foram atingidos por um calor de 42°C assim que as flores se abriram.
"Isso é praticamente inédito para nossa área, ter uma temperatura como esta em junho", diz ele.
Flores amarelas desfaleceram, a reprodução parou e muitas sementes que teriam sido prensadas para virar óleo nunca se formaram.
Flansburg produziu cerca de 272kg a 363kg por acre. No ano anterior, sob condições climáticas ideais, a produção foi de 1.225 kg por acre.
Vários fatores provavelmente contribuíram para esta colheita reduzida — o calor e a seca persistiram ao longo da estação de crescimento.
Mas um ponto está se tornando alarmantemente claro para os cientistas: o calor é um assassino do pólen.
Mesmo com água adequada, o calor pode danificar o pólen e impedir a fecundação na canola e em muitas outras culturas, incluindo milho, amendoim e arroz.
Por essa razão, muitos agricultores almejam que as plantações floresçam antes que a temperatura suba.
Mas, à medida que as mudanças climáticas aumentam o número de dias em que as temperaturas passam de 32 °C em regiões ao redor do mundo, e vários dias prolongados de calor extremo se tornam mais comuns, conseguir acertar o momento ideal pode se tornar um desafio, se não impossível.
Diante de um futuro mais quente, os pesquisadores estão buscando maneiras de ajudar o pólen a vencer o calor.
Eles estão descobrindo genes que podem levar a variedades mais tolerantes a altas temperaturas e criando cultivares (novas raças) capazes de sobreviver ao inverno e florescer antes do calor vir à tona.
Os cientistas estão sondando os limites precisos do pólen e até mesmo colhendo pólen em larga escala para pulverizar diretamente as plantações quando o clima melhorar.
O que está em jogo é grande parte da nossa alimentação. Cada semente, grão e fruta que comemos é um produto direto da polinização, explica a bioquímica Gloria Muday, da Wake Forest University, na Carolina do Norte, nos EUA.
"O parâmetro crítico é a temperatura máxima durante a reprodução", diz ela.
A criação das sementes começa quando um grão de pólen deixa a antera do órgão reprodutor masculino de uma planta (o estame), pousa no estigma pegajoso de um órgão reprodutor feminino (o pistilo), e o tubo polínico começa a crescer.
Esse tubo é formado por uma única célula que cresce por meio do estigma e desce por uma espécie de haste chamada estilete até chegar ao ovário, onde entrega o material genético do grão de pólen.
O desenvolvimento do tubo polínico é um dos exemplos mais rápidos de crescimento celular no mundo das plantas, diz Mark Westgate, professor emérito de agronomia da Universidade Estadual de Iowa, nos EUA.
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