
19/07/2022
Mais de cem anos atrás, o naturalista John Muir levou o presidente Theodore Roosevelt para acampar sob uma árvore milenar e majestosa no Parque Nacional Yosemite.
Conhecida como a Gigante Grisalha, a árvore tinha mais de 2.000 anos de idade e 61 metros de altura, com galhos de alguns metros de diâmetro. O presidente Roosevelt descreveu a árvore e o bosque em volta como um "templo", e pouco depois disso concedeu proteções federais ao parque situado na Serra Nevada, na Califórnia.
Mas nos últimos dias a Gigante Grisalha vem sendo ameaçada pelo incêndio Washburn, que já devastou mais de 3.000 acres de mata rasteira e árvores na parte sul do parque nacional, levando a uma ordem de evacuação dos moradores e turistas da comunidade de Wawona.
"Temos que ir até os confins do mundo para proteger esta árvore", disse o ecologista florestal Garrett Dickman, que trabalha no Parque Nacional Yosemite e está ajudando a administrar os esforços para proteger o Bosque Mariposa de Sequoias Gigantes, o maior e mais visitado dos três agrupamentos de sequoias no parque, com mais de 500 árvores antigas.
"Os últimos dois anos têm servido de alerta grave", ele acrescentou. "Nunca imaginamos que as sequoias gigantes corressem perigo real de pegar fogo."
As sequoias gigantes da Califórnia vêm enfrentando incêndios especialmente fortes desde 2015, consequência da mudança climática e de uma falta de queimadas frequentes ao longo do século anterior, segundo o Serviço de Parques Nacionais. A ameaça iminente —que agora chega a algumas das árvores mais admiradas e antigas do estado— está levando cientistas e bombeiros a tomar medidas excepcionais para resguardá-las.
Dickman explicou que, para proteger a Gigante Grisalha, as autoridades montaram um sistema de rega por aspersão que funciona intermitentemente, bombeando entre 70 e 90 litros de água por minuto na base da árvore. Os detritos do chão em volta da árvore estão sendo retirados, e árvores menores que poderiam atear fogo às sequoias gigantes estão sendo derrubadas.
Em outros incêndios recentes, bombeiros embrulharam as árvores em lonas retardantes de chamas, jogaram espuma anti-incêndio sobre elas e as banharam em retardante de chamas cor-de-rosa. Dickman disse que pensou na possibilidade de direcionar jatos finos de água para o ar em volta das árvores em risco, para criar uma "parede de água". Em outros casos, ele explicou, arboricultores subiram nas árvores gigantes para verificar a possível presença de brasas ou para cortar galhos que pudessem ter pego fogo.
Durante o incêndio Windy, no ano passado, que destruiu mais de 1.700 acres no Monumento Nacional Sequoias Gigantes, bombeiros especializados conhecidos como "smokejumpers", que saltam de paraquedas para uma zona de incêndio ativo, passaram dois dias subindo uma árvore que estava queimando em fogo lento.
Foi preciso muito planejamento, disse Dickman. "Como você faz para escalar uma árvore que está queimando?"
Cientistas dizem que o Bosque Mariposa provavelmente corre risco menor que alguns outros bosques de sequoias gigantes, isso devido às décadas de queimadas controladas prescritas pelo Serviço de Parques Nacionais que eles esperam que a terão preparado bem para evitar as consequências mais graves de um incêndio descontrolado.
Na terça-feira (12), o incêndio estava 22% contido e avançava em direção norte, disse um porta-voz do Serviço Florestal americano. Mais de 600 bombeiros participam do esforço de combate às chamas.
O fogo já ardeu lentamente em partes do chão do bosque. Cientistas e autoridades dizem que a prioridade é garantir que não chegue às copas das árvores. As sequoias são capazes de resistir a algum calor e chamuscamento de seus troncos, mas se as chamas chegam às suas copas podem fazê-las ser devoradas pelo fogo, como se fossem palitos de fósforo.
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