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Pescadores trabalham para retirar lixo flutuante de praias e manguezais da Baía de Guanabara

07/07/2022

O lixo flutuante e demais resíduos sólidos encontrados na costa e nos manguezais do Rio de Janeiro é uma realidade dura para os pescadores. Além de causar uma grande degradação do meio ambiente e dos recursos hídricos e de afetar a atividade pesqueira, trata-se de um cenário que também representa um risco para a flora e fauna local. Contornar o problema, portanto, traz benefícios múltiplos.
Desde fevereiro, mais de 150 toneladas desse lixo já foram retiradas por meio de uma ação da Federação Estadual dos Pescadores do Rio de Janeiro, responsável pelo projeto "Águas da Guanabara". A iniciativa não apenas recolhe dejetos, como também tem o objetivo de quantificar e qualificar os resíduos sólidos e os impactos que eles possuem sobre a Baía de Guanabara.
Atualmente, os pescadores estão realizando esse trabalho de limpeza no Canal de Magé e nos rios Suruí e Estrela, todos na Baixada Fluminense. Já em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Estado, a ação já alcançou os rios Imbuaçu, Pomba e Marimbondo, entre outros. Na maior parte das vezes, o material retirado é lixo que não foi para a coleta seletiva, sendo descartado pelos próprios moradores dentro dos rios.
— O projeto já existiu no passado, mas com outro nome. Agora, voltamos e estamos fazendo a nossa parte, mas cabe à população não jogar lixo nos rios. Já temos um resultado muito significativo: a melhoria da qualidade de vida do pescador, do mangue, do solo, da água, da fauna e da flora — enumera Gilberto Alves, presidente da Colônia de Pescadores de Niterói/ São Gonçalo Z8.
Os pescadores recebem auxilio-alimentação e remuneração pelo trabalho de coleta. Além da retirada do lixo, existe na Federação Estadual dos Pescadores uma grande preocupação com a questão social dos trabalhadores. A entidade já realizou ações com mais de 140 profissionais da pesca, como a viabilização de exames de rotina, com o objetivo de identificar possíveis problemas de saúde e encaminhar para um médico especializado, com apoio das prefeituras.
— É importante frisar que o prejuízo com todo esse lixo se reflete no meio ambiente, na vida dos pescadores que têm suas redes de pesca danificadas e também na vida da própria população que acaba jogando os resíduos nos rios. Com essa limpeza, os peixes voltam para o habitat natural, e a vegetação se transforma sozinha — garante o presidente da federação, Luiz Carlos Furtado.
A coleta vem acontecendo três vezes por semana, das 8h às 12h. Todo o lixo retirado da costa é encaminhado para as prefeituras locais, para ser dada a devida destinação.
— Mas nosso projeto visa também o social. Por isso, mantemos um banco de dados com relatórios mensais sobre a saúde dos pescadores — reforça o coordenador técnico da iniciativa, Alberto Toledo.

Fonte: O Globo

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