
07/07/2022
Em 2022, a General Motors se tornou oficialmente parceira do Felinos Pantaneiros, programa do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) em defesa da onça pintada. Uma história de amor pelo Pantanal que começou há muito tempo. Mais precisamente na década de 80, quando o fundador do IHP defendeu (literalmente) com a própria vida outra espécie icônica do bioma: o jacaré.
O Coronel Angelo Rabelo, fundador e presidente do IHP, trabalhava na Polícia Militar no início dos anos 80 e conta que a biodiversidade do Pantanal estava ameaçada por caçadores. “Entre 1980 e 1991 cerca de 5 milhões de peles de jacarés foram retiradas do Pantanal”, relembra.
Eram tempos de combates diários contra a caça e, em um confronto com coureiros, Rabelo perdeu um amigo e foi atingido por um tiro. Ficou 2 anos afastado e, ao invés de aceitar a aposentadoria, voltou para ajudar a fundar a Policia Florestal em Corumbá e seguir na batalha para salvar o jacaré da extinção.
A vitória definitiva contra a caça à espécie veio apenas em 1991, quando Rabelo acredita que o domínio da região foi finalmente conquistado e 2 anos após a caça haver sido criminalizada. Depois de uma década de entrega e de quase ter perdido a vida, a missão estava cumprida. Mas era só o começo.
Quando deixou a Polícia Florestal, Rabelo continuou a trabalhar pela vida do Pantanal. Com o apoio de Neiva Guedes e outras pessoas e entidades que já atuavam na conservação do bioma, ajudou a criar corredores e áreas de conservação para a fauna e a flora. Em 2002, este trabalho teve continuidade com a criação do Instituto Homem Pantaneiro, organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que trabalha pela conservação e preservação do bioma Pantanal e da cultura local. O nome é uma homenagem às pessoas que ajudaram Rabelo a derrotar a caça na região.
O IHP realiza a gestão da Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar, ou Rede do Amolar, uma área de 276 mil hectares, dos quais 201 mil são legalmente protegidos. A iniciativa surgiu a partir da parceria entre IHP, Instituto Acaia Pantanal, Fazenda Santa Tereza, Fundação Ecotrópica e Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense/Instituto Chico Medes (ICMBio) e Polícia Militar Ambiental.
Em 2020, o fogo que devastou o Pantanal queimou cerca de 97% deste território. Neste momento trágico, o Instituto Homem Pantaneiro se destacou pela atuação dos brigadistas que combateram o fogo de forma heroica e pelo trabalho incansável da sua equipe em resgatar e cuidar dos animais do Pantanal.
Aqui, voltamos a falar do Programa Felinos Pantaneiros, responsável por salvar a vida de JouJou, uma das onças que foi notícia em todo o Brasil ao ser resgatada do fogo, tratada pelos veterinários do IHP e posteriormente devolvida com saúde ao seu habitat. O nome Joujou é uma homenagem à Juana, cozinheira da sede do IHP. Joujou, como Juana é conhecida, trabalhou dias e noites sem parar para garantir alimento e cuidado aos brigadistas e voluntários que combateram as queimadas e ajudaram suas vítimas em 2020.
As imagens da onça sendo resgatada e tratada pelos veterinários ficaram famosas e simbolizaram a luta pela vida no Pantanal depois do fogo, causado pela ação humana. E aí que entra outro personagem desta história de amor ao Pantanal: o veterinário Diego Viana.
Com 34 anos, Diego fala sobre a onça pintada com a autoridade de um veterano no assunto. Formado pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, o corumbaense coordena o Felinos Pantaneiros. Ele conta que o programa começou com uma parceria entre o IHP e pecuaristas da região. De um lado, ambientalistas procuravam preservar a onça pintada e, do outro, fazendeiros precisavam proteger o gado de ataques constantes.
O trabalho começou na fazenda BrPec, que registrava 930 ataques de onça ao gado todos os anos. No primeiro ano de atuação do IHP, este número caiu para 220. E o melhor: sem que nenhuma onça fosse morta para isso. Com estudos científicos sobre o comportamento do animal e conscientização dos pecuaristas, medidas como a instalação de cercas elétricas e repelentes luminosos vão sendo adotadas e as onças e o gado seguem com cada vez menos “interações negativas”, como os ataques são classificados.
A matéria na íntegra pode ser lida no Ciclo Vivo
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