
05/07/2022
No dia 3 de junho de 2012, quando o Aterro Sanitário de Jardim Gramacho recebeu o último caminhão de lixo, representantes dos governos municipais (Rio e Caxias), estadual e federal se comprometeram a levar desenvolvimento econômico e social para a região.
Uma década depois, a maioria das promessas nem sequer saiu do papel. A população de ex-catadores vive em situação precária, comunidades do entorno do aterro continuam sem saneamento básico nem água encanada, e o polo de reciclagem, que seria o primeiro do Brasil, tem apenas 2 galpões construídos, dos 10 previstos no projeto inicial.
De acordo com o projeto da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, em parceria com a Petrobras e o Pangea (Centro de Estudos Socioambientais), Gramacho receberia o primeiro polo de reciclagem do Brasil com oito espaços com maquinário, duas unidades de processamento de resíduos, um centro administrativo para cursos de qualificação profissional e uma creche para atender as crianças.
No entanto, em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a secretaria e a Petrobras em julho de 2012, um mês após o fechamento do aterro, apenas a primeira etapa do projeto foi assegurada — a construção de dois galpões. As etapas seguintes nunca saíram do papel.
O objetivo era que o polo gerasse emprego para cerca de 500 catadores, dos 1.707 que trabalhavam no aterro até o dia do seu fechamento. Hoje, nas três cooperativas que ocupam os dois galpões construídos, trabalham apenas 38 catadores, menos de 8% que o projeto deveria atender.
“O polo de reciclagem, que seria o mecanismo de absorver a mão de obra dos catadores que ficaram desempregados após o fechamento, nunca saiu do papel. O pouco trabalho que é feito aqui é feito independente de cooperativa. A gente não tem apoio do estado, a gente não tem apoio do Município de Duque de Caxias, a gente não tem apoio do Município do Rio de Janeiro, que foi o grande responsável, o maior depositador de resíduo aqui na região”, explica diz Tião Santos, presidente da Associação de Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (Acamjg).
Sebastião dos Santos, de 43 anos, mais conhecido como Tião, ficou conhecido mundialmente após fazer parte do documentário “Lixo Extraordinário”, que mostrou a rotina dos catadores de lixo de Gramacho antes do seu fechamento e concorreu ao Oscar em 2011.
Atualmente, esses dois galpões ainda funcionam de forma precária e sem maquinário suficiente. Além disso, por falta de políticas públicas que incentivam a reciclagem, há dias em que os espaços nem sequer abrem as portas em função da falta de material.
“Na inauguração do polo, a gente recebia de cerca de oito empresas grandes geradores. Hoje a gente recebe somente da Reduc. É muito comum essa situação de ter galpão fechado durante a semana. Às vezes, funciona dez dias no mês, oito dias, depende muito da produção”, explica Glória Cristina dos Santos.
Glória destaca que o polo chegou a ter 90 catadores, mas, em função da redução no abastecimento de matéria-prima do polo, muitos voltaram para as ruas.
Em nota, o Inea informou que após o TAC a Petrobras se comprometeu a investir em ações ambientais e em melhorias da área operacional da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc).
"Dentre as ações previstas estavam investimentos para a construção de dois galpões e aquisição de equipamentos para sua operacionalização. Os galpões foram devidamente construídos e entregues, em 2013, para organizações de catadores de materiais recicláveis", diz o instituto.
"Atualmente, a secretaria finaliza os ajustes necessários a um convênio que será firmado entre a pasta ambiental e o Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro (IEAA/RJ), por meio da qual, o IEAA/RJ irá apoiar as ações de melhoria no Polo de Reciclagem", acrescenta a nota
A Petrobras diz que apoiou a implantação do polo de Reciclagem dos Catadores de Jardim Gramacho. Todo o escopo sob a responsabilidade da empresa foi implantado (projeto arquitetônico, implantação de dois galpões, aquisição de máquinas, equipamentos de proteção individual, etc).
Leia mais no g1
Férias de julho cheias de diversão e aprendizado: confira opções de colônias gratuitas e particulares em Niterói
09/07/2026
Mudança climática pode eliminar até 34% das plantas usadas por povos da Amazônia, diz estudo
09/07/2026
A arquitetura invisível da reciclagem
09/07/2026
Com espaços fluidos, escola integra a natureza à aprendizagem
09/07/2026
Eucalipto se tornou vilão de incêndios florestais
09/07/2026
Novo estudo indica por que a Antártica congelou milhões de anos antes do Ártico
09/07/2026
