
28/06/2022
Monitoramento feito pelo Inea, órgão ambiental do governo do Rio de Janeiro, indica que a qualidade da água da baía de Guanabara piorou nos últimos dois anos.
Todos os pontos de coleta no espelho d´água apresentaram médias consideradas ruins ou péssimas durante o monitoramento feito nos anos de 2020 e 2021. É a primeira vez que isso ocorre desde 2014, início da série histórica do levantamento.
Nem o Inea nem especialistas sabem explicar com exatidão a razão do resultado. Foram apontadas como hipóteses a piora na manutenção dos sistema de esgoto pelo estado na iminência da concessão do serviço de saneamento básico, realizado no ano passado, e um eventual efeito das condições climáticas no momento da coleta.
O pior resultado da série histórica foi registrado justamente quando a promessa de despoluição da baía de Guanabara foi renovada com o plano de investimento exigido da nova concessionária, Águas do Rio, que atuará no entorno dela.
A empresa assumiu o saneamento básico da região no fim do ano passado e prevê melhora nos resultados em cinco anos.
De acordo com os dados do Inea, 13 dos 20 pontos monitorados dentro da baía tiveram uma média considerada péssima no último biênio. Os demais sete locais de coleta foram considerados ruins.
O relatório do órgão estadual se refere à média das sete coletas feitas entre 2020 e 2021. O levantamento costuma ser anual, mas sofreu interrupções há dois anos em razão das medidas de prevenção durante a pandemia do novo coronavírus. Por esse motivo, o boletim se refere ao biênio.
Nas análises, o instituto verifica 15 parâmetros físico-químicos e biológicos das águas, como a presença de coliformes fecais e de fitoplânctons, microrganismos indicadores da presença de poluição.
O resultado é o pior já apresentado na série histórica. Antes, o ano com médias inferiores era o de 2014, o primeiro, quando 13 pontos foram considerados péssimos, 5 ruins e 2 regulares.
O melhor resultado foi atingido no biênio 2016/2017, posterior à realização da Olimpíada no Rio de Janeiro, quando apenas cinco pontos foram considerados péssimos, três ruins, nove regulares e três bons. Este foi o único período com algum ponto com índice positivo.
Desde então, as águas da baía voltaram a apresentar progressiva piora.
Apesar de associada, por completo, ao despejo de esgoto das 16 cidades que compõem sua bacia hidrográfica, o espelho d’água da baía é diverso.
As áreas próximas à área de proteção ambiental de Guapimirim costumam ter águas melhores, em razão da preservação ambiental do entorno dos rios da região. Além disso, a baía tem um canal central profundo que favorece à troca de água com mar de forma mais intensa, diluindo a sujeira.
Contudo, mesmo esses pontos apresentaram resultados ruins no último biênio.
O ponto de coleta próximo à praia de Icaraí, em Niterói, registrou pela primeira vez uma média considerada péssima. Nos cinco levantamentos anteriores, o local foi considerado regular por três vezes, uma vez boa e outra, ruim.
Até mesmo o ponto de monitoramento externo próximo à boca da baía, já em área oceânica, teve seu resultado considerado ruim pela primeira vez na série histórica.
Procurado, o Inea afirmou que "não foi evidenciada alteração significativa na qualidade de água dos pontos monitorados na baía da Guanabara".
Especialistas ouvidos pela Folha não identificam uma razão específica para os resultados. Todos afirmam, contudo, que a tendência de piora permanecia no período analisado.
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