
21/06/2022
Em 2021, o Brasil tornou-se o quinto maior produtor de energia solar, saltando da 9ª posição que ocupou em 2020. O país terminou o ano com cerca de 13 GW: as novas adições (5,5 GW) foram puxadas principalmente pela geração distribuída (4GW), quando os painéis fotovoltaicos são instalados no local em que a energia será consumida. O setor residencial foi responsável pela maior parte das contratações (77,4%).
Os dados são do relatório REN21, lançado globalmente nesta quarta-feira, 15 de junho. O relatório compila as informações mais precisas disponíveis sobre investimentos em energias renováveis em todos os países do mundo. Segundo o documento, a energia solar distribuída cresceu no Brasil impulsionada, principalmente, por um aumento geral dos preços da eletricidade em decorrência da crise hídrica que impactou a capacidade hidrelétrica do país.
Apesar da lenta recuperação dos impactos da pandemia nos países da América Latina, a captação de energia solar fotovoltaica continuou a crescer em toda a região. Os quatro países com melhor desempenho em capacidade recém-instalada foram Brasil (5,5 GW), México (1,8 GW), Chile (1,3 GW) e Argentina (0,2 GW).
Além da geração elétrica fotovoltaica, o mercado brasileiro manteve-se como um dos mais importantes para sistemas de aquecimento solar de água, com uma alta de 28% das vendas neste segmento no ano passado. Apesar disso, o país caiu da quarta para a quinta colocação devido ao avanço dos EUA neste segmento, que passou de quinto para segundo do mundo em apenas um ano.
No setor eólico, o Brasil está atrás apenas de China e Estados Unidos, um segmento que deve sua expansão em 2021 principalmente ao destravamento de investimentos offshore (em alto mar) em quase todas as geografias, inclusive no Brasil.
O ano passado foi especial para as energias renováveis em seu conjunto, quando elas responderam por 84% das novas adições de energia na rede global, o maior percentual desde 2011, quando a medição começou a ser feita. Foram 315 GW de energia renovável nova no mundo, o suficiente para abastecer todos os consumidores domésticos do Brasil.
A China se tornou o primeiro país a ultrapassar 1TW de capacidade de energia renovável instalada, muito à frente de EUA (398GW), Brasil (160GW), Índia (158GW) e Alemanha (139GW). O país asiático lidera em quase todos os segmentos renováveis e também foi o que mais investiu como um todo no setor — 37% do total global, à frente da Europa (22%), Asia-Oceania (sem China e Índia; 16%) e os EUA (13%).
Apesar do crescimento, o relatório alerta que o nível de novas adições de energias renováveis ainda está abaixo do necessário para atingir a meta do Acordo de Paris de manter o aquecimento global abaixo de 1,5C. Segundo o roteiro estabelecido pela Agência Internacional de Energia para o cumprimento da meta, o mundo precisa triplicar a adição anual de renováveis para estar na trilha para alcançar emissões zero até meados do século.
Mesmo com o recorde de renováveis novas adicionadas às redes de energia, as fontes fósseis aumentaram sua participação em relação ao uso final, com a maior parte dos governos turbinando infraestruturas e importações de combustíveis fósseis, principalmente o gás. O ano de 2021 também marcou o fim da era dos combustíveis fósseis baratos, com o maior pico nos preços da energia desde a crise do petróleo de 1973.
“O velho regime energético entra em colapso diante de nossos olhos – e com ele, a economia global”, disse Rana Adib, Diretora Executiva da REN2. Para ela, a resposta à crise e as metas climáticas não deveriam estar em conflito.
“As energias renováveis são a melhor e mais acessível solução para enfrentar as flutuações dos preços da energia. Devemos aumentar a participação das energias renováveis e fazê-las uma prioridade da política econômica e industrial. Não podemos combater um incêndio com mais fogo”, completa Rana.
“Em vez de colocar as energias renováveis em segundo plano e depender de subsídios de combustíveis fósseis para reduzir as contas de energia das pessoas, os governos deveriam financiar diretamente a instalação de tecnologias de energia renovável em lares vulneráveis. No final, o caminho da energia renovável sairá mais barato, apesar do investimento inicial”, garante a Diretora Executiva da REN2.
A matéria na íntegra pode ser lida no Ciclo Vivo
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