
14/06/2022
A semana começou com frio e mar agitado. Na orla da Zona Sul, o mar invadiu o calçadão e a ciclovia nos bairros do Leblon e de Ipanema. A Comlurb está no local para retirar a areia e o lixo acumulados. Em alguns trechos, uma das pistas está interditada ao trânsito para que a limpeza seja feita. A Marinha do Brasil emitiu um aviso de ressaca alertando para ondas de até 3 metros, válido até as 9h de terça-feira.
É uma cena recorrente na cidade. Basta o mar aumentar um pouquinho para que as ondas invadam o calçadão, a ciclovia e, às vezes, até mesmo as pistas das avenidas Delfim Moreira, no Leblon, e Vieira Souto, em Ipanema. Na madrugada de domingo para segunda-feira, não foi diferente. As ondas de até três metros de altura não pouparam o trecho da orla, que ficou coberto de areia.
— Há uma sobreposição de fatores. A elevação do nível do mar está mais alta do que de costume devido à maré astronômica com a chegada da Lua cheia, pela frente fria, que empilha mais a água, e o galgamento das ondas. Quanto mais altas, mais energia têm para atingir a praia — explica David Zee, oceanógrafo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), lembrando que episódios assim podem passar a ser cada vez mais frequentes. — Temos que levar em conta que o clima tem mudado, o mar está mais forte, as frentes frias mais frequentes. A tendência é de que fique cada vez mais intenso.
Outros fatores também explicam a "invasão". Um dos mais importantes é justamente a proximidade das construções e o mar.
— O homem tem culpa porque ele adora morar debruçado no mar e não respeita suas flutuações. Quanto mais ele avança, mais fica vulnerável a ondas maiores quando chegam as frentes frias. Quando as ondas maiores quebram, elas se esparramam mais para frente — explica.
É uma equação com três fatores: ameaça, que é a elevação da onda, a exposição, que é o quanto se está exposto, a algum imprevisto e a vulnerabilidade, que diz respeito a como se está protegido do avanço do mar. Para reduzir os riscos, é preciso zerar pelo menos uma dessas três causas.
Uma solução seria fazer uma engorda na praia para aumentar a largura e o volume de areia, colocando a praia toda no mesmo nível das avenidas ou até mesmo um pouco mais acima para que as ondas não cheguem até o asfalto.
— Mas a cidade está fora de controle, as construções já existem. Para anular a exposição, por exemplo, você teria que recuar a Vieira Souto para perto da Lagoa — diz Zee. — A maior ameaça não é a onda, é a onda conseguir chegar ao calçadão. E isso tem relação com a elevação do nível do mar. A natureza desenhou a praia para defender o litoral. O homem chega e constrói em cima do design projetado pela natureza. É preciso renaturalizar a praia, reconstruir a praia que o homem roubou do mar.
Segundo ele, é urgente investir tempo e dinheiro num projeto moderno de engenharia costeira para deixar a cidade menos exposta.
As áreas da orla mais vulneráveis são o Arpoador e o Leblon, devido à entrada do vento do quadrante sul e sudeste. O Leblon ainda tem uma certa proteção, que são as Ilhas Cagarras.
— Em uma cidade como o Rio, em que a praia é desejada pelo turista, quando você aumenta a praia, também aumenta a possibilidade de crescimento do turismo. E movimenta a economia do estado. Aumentar o litoral é aproveitar os serviços da natureza, ao invés de aplicar estruturas humanas.
Hoje, o dia segue nublado, mas não chove. As temperaturas variam entre 13 graus e 23 graus, de acordo com o sistema Alerta Rio.
Para terça-feira, a previsão é de chuva fraca e de ventos moderados. A temperaturá fica entre 14 graus e 23 graus. Na quarta, o sol volta a aparecer, e não há previsão de chuva até sexta-feira.
As temperaturas, porém, seguem em queda. Quarta e quinta os termômetros devem bater 13 graus. Já na sexta o frio fica ainda mais intenso e a temperatura pode chegar a 12 graus.
Fonte: O Globo
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