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Amazônia registra segundo pior maio de desmatamento desde 2016

14/06/2022

A Amazônia teve o segundo maior desmate registrado em um mês de maio, segundo dados do Deter, programa do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Foram derrubados 899,64 km² de floresta.
Maio de 2021 —sempre em comparação com o mesmo mês de outros anos— é o recordista de destruição, com 1.390 km² derrubados.
Apesar da queda, o número ainda é significativo para um único mês, principalmente ao se considerar que os piores meses de destruição ainda estão pela frente.
O estado do Amazonas foi o que sofreu maior desmatamento em maio, com derrubada de 298 km².
O Deter é o programa do Inpe que registra desmates praticamente em tempo real, com o intuito de auxiliar equipes de fiscalização no combate aos crimes ambientais. Apesar disso, os dados provenientes do Deter podem ser usados para verificar tendências de destruição —que, neste momento, apontam para mais um ano de índices elevados.
A série histórica recente do Deter aqui apresentada tem início no período 2015/2016.
O mesmo mês de maio também teve um elevado número de queimadas na Amazônia. Foi o pior maio de incêndios desde 2004, com registro de 2.287 focos de incêndio, um aumento de 96% em relação ao mesmo mês de 2021. É o segundo maior número para um mês de maio. A primeira colocação é de 2004, quando o número de focos foi de 3.131.
Mariana Napolitano gerente de ciências do WWF-Brasil afirma que "mesmo com todos os alertas da ciência, o Brasil continua na contramão do desenvolvimento sustentável".
O presidente Jair Bolsonaro, aliado próximo do agronegócio, tem enfrentado críticas internacionais por um forte aumento do desmatamento na Amazônia, frequentemente relacionado ao avanço da exploração agrícola e de recursos naturais.
Desde que assumiu o cargo em 2019, o desmatamento anual médio da Amazônia brasileira aumentou 75% em relação à década anterior, segundo números oficiais.
"Os recordes de desmatamento deixam claro que um futuro ambientalmente justo e equilibrado está cada dia mais distante", acrescentou Napolitano, que criticou a "ineficácia" das políticas ambientais atuais.

Fonte: Folha de S. Paulo

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