
07/06/2022
As mudanças climáticas devem afetar a economia mundial, e especialmente a América do Sul, de forma bastante negativa nas próximas décadas, causando prejuízos de trilhões de dólares e eliminando milhões de vagas de emprego. O quadro, no entanto, pode ser evitado caso os países, por meio de seus governos, empresas e ONGs (Organizações Não-Governamentais), comecem a agir imediatamente.
Estas são algumas das principais conclusões do estudo “The Turning Point — Um novo clima econômico na América do Sul”, realizado pela Deloitte, organização de serviços profissionais, a partir de sua divisão Deloitte Economics Institute. O relatório global, lançado durante o Fórum Econômico Mundial 2022, em Davos, na Suíça, destaca, ainda, que a década atual (2021-2030) será decisiva: é preciso preparar desde já o terreno para uma rápida descarbonização, com vistas a um futuro de ações climáticas ambiciosas.
De acordo com o estudo, se as mudanças climáticas não forem controladas, a América do Sul terá perdas econômicas de aproximadamente US$ 17 trilhões entre 2021 e 2070. Nesse cenário futuro, pode haver 18 milhões de empregos a menos na região em 2070. Nesse mesmo ano, a América do Sul pode sofrer a perda de 12% de seu PIB, valor equivalente a US$ 2 trilhões.
Por outro lado, se o aquecimento global for limitado a até 1,5°C, a América do Sul escaparia desse cenário negativo e ainda teria 2 milhões de empregos adicionais e US$ 150 bilhões a mais de PIB. Dessa forma, a partir de meados da década de 2060, a América do Sul atingiria seu ponto de virada, quando os ganhos econômicos da
Mas para isso é urgente que governos, empresas e ONGs comecem a agir imediatamente, ainda nesta década.
As mudanças climáticas afetarão fortemente sistemas inteiros, como os relacionados à agricultura, saúde manufatura, infraestrutura e finanças. No caso da agricultura, o setor é particularmente vulnerável aos riscos climáticos. A capacidade de produzir diferentes culturas anualmente está intimamente ligada à disponibilidade de água e à dependência de insumos químicos. Secas ou inundações podem arrasar safras, o que aumentaria os pagamentos de seguro agrícola, tornando os produtos mais caros para seguradoras, produtores e contribuintes.
O uso de insumos químicos, como fertilizantes, que dependem de combustíveis fósseis, pode ser afetado, pois os custos dessas commodities estão atrelados a novas regulamentações e a novos tributos. O setor extrativista industrial também é bastante vulnerável aos riscos climáticos físicos, especialmente atividades como mineração, extração de petróleo e processamento de matérias-primas.
Já o setor de serviços está particularmente exposto ao estresse térmico e aos impactos climáticos na saúde humana. Nos próximos 50 anos, as mudanças climáticas podem reduzir o valor agregado bruto dos serviços na América do Sul em US$ 7,1 trilhões, em termos de valor presente líquido acumulado até 2070.
A produtividade menor resultante dos impactos climáticos gera grandes perdas econômicas no setor de serviços, devido à escala de empregabilidade. Outras áreas da economia também seriam afetadas. Eventos climáticos extremos e danos a ativos físicos podem reduzir a produção industrial da América do Sul em US$ 3,5 trilhões até 2070, e os setores de varejo e turismo perderiam US$ 2,3 trilhões, por exemplo.
Conforme aumentam, a frequência e a intensidade dos eventos climáticos extremos deverão ter efeitos desproporcionais sobre os mais pobres, especialmente em um país desigual como o Brasil.
Além disso, a perda de produtividade da terra no curto prazo (até 2030) como resultado das mudanças climáticas ameaçará a segurança alimentar das populações de baixa renda, principalmente na região Nordeste do País. O estudo indica ainda que qualquer futuro ‘net zero’ vislumbrado para o Brasil deverá considerar a participação significativa de toda a população, abordando os efeitos sociais e econômicos da transição.
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