
02/06/2022
O abandono da população de Jardim Gramacho após o fechamento do aterro sanitário tem afetado a vida de ex-catadores e moradores, mas o descaso com o meio ambiente prejudica outra grande parcela de trabalhadores da região.
A poluição dos rios Sarapuí e Iguaçu, que ficam no entorno do Jardim Gramacho e deságuam na Baía de Guanabara, atingiu níveis tão alarmantes que os pescadores de Duque de Caxias não vivem mais de peixe. Eles agora são “catadores de rio”.
“A gente parou de catar caranguejo para catar material reciclável, esse que a gente vê limpinho. Nem todo material reciclável todo mundo quer comprar não. Porque tem lama, a gente tem que perder tempo pra lavar. Tem garrafa PET suja, mas eles querem a limpinha”, diz Gilciney Lopes Gomes, presidente da Colônia de Pescadores de Caxias, que consegue juntar cerca de 30 quilos de material a cada 15 dias.
Segundo os trabalhadores, a renda média, que já chegou a quase R$ 1 mil por semana com pescados, hoje gira em torno de R$ 300 com a venda de recicláveis. E como é cada vez maior o número de pescadores de lixo no rio, a quantidade de material e o faturamento também diminuem.
“Normalmente eu venho catando latinha, plástico, pelo menos para comer. As contas, tá tudo atrasada. Tá difícil, não quero isso para os meus filhos mais. Eu vou me aposentar agora, não sei se vai ter obstáculo, mas essa vida não dá mais”, lamenta José Vitor do Nascimento Raimundo, que criou uma espécie de puçá para pescar as latinhas dentro do rio.
Já os plásticos, os pescadores costumam catar dentro do manguezal. Quando chove ou quando a maré sobe, a área de mangue é inundada, levando não só os recicláveis, como também a poluição dos rios.
“Algumas, eu pego com puçá e jogo dentro. Mas algumas têm lama, aí tem que meter a mão na água e lavar. Aí, você já tá se contaminando ali. E dentro dos manguezais também quando a gente tá armando as armadilhas pra pegar o caranguejo, a gente vê e vai jogando dentro da sacolinha. Chega em casa, vai juntando e final de semana vai vender”, explica o catador.
As empresas que compram material reciclável na região pagam R$ 8 no quilo da latinha de alumínio e R$ 1,80 na embalagem plástica de material resistente. Em média, um pescador costuma catar cerca de 2 a 3 quilos de latinha por dia. Um quilo de latinha significa pescar 70 unidades do material no rio.
As garrafas PETs, que costumam ser bastante cobiçadas pelos catadores de recicláveis, não interessam tanto aos pescadores da região, pois a poluição nos rios de Caxias está tão grande que as embalagens ficam muito sujas e não têm valor para os compradores de recicláveis.
“A garrafa do rio, o ferro-velho não está comprando. Antigamente eu trazia a lona cheia, mas eles não estão comprando mais as garrafas PETs porque elas vêm sujas, com óleo, aí eles não querem”, diz Jose Vitor.
Segundo especialistas, a situação evidencia o impacto socioeconômico na região, que é visível no empobrecimento dos pescadores artesanais.
A matéria completa pode ser lida no g1
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