UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Década jogada no lixo: promessa eram cursos de capacitação, mas, 10 anos depois, muitos ex-catadores mal sabem ler

02/06/2022

Quando o Aterro Sanitário de Gramacho fechou as portas em junho de 2012, deixando 1.707 catadores sem condições de garantir o próprio sustento, o governo prometeu cursos de capacitação profissional para todos. Mas hoje, 10 anos depois, muitos deles nem sequer sabem ler e escrever.
A luz no fim do túnel veio de dentro da comunidade. Turmas de alfabetização criadas pelo projeto social IDE têm ajudado a dar os primeiros passos no processo de alfabetização.
“Eu li sozinha uma carta que minha mãe mandou do Norte pra mim. Uma vez chegou uma e eu não li, quem leu foi meu filho. Mas eu queria ler para ver as letras da minha mãe. Parecia que minha mãe tava falando comigo através da carta, na minha mente”, comemora Luiza José dos Santos Drumond, 66 anos, ex-catadora do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho.
O IDE foi criado em 2009 com a intenção de levar o esporte para as crianças de uma comunidade extremamente carente. Foi na época do encerramento das atividades do lixão que os fundadores perceberam, porém, que as necessidades da população do Jardim Gramacho eram ainda maiores.
“Começamos a olhar para esse desespero dos pais e procurarmos a profissionalização dos mesmos. A gente montou o curso de salão de beleza, porque era uma coisa que você pode ir de casa em casa, você pode atender sem o aparato de uma loja, sem o aparato de uma empresa. Então, montamos cursos profissionalizantes, corte, costura, curso industrial, montamos o salão de beleza, artesanato profissionalizante”, diz o idealizador do projeto, pastor Anderson Leite, 48 anos.
Hoje com 78 anos, a ex-catadora Adenair do Nascimento Santiago lembra os dias difíceis de trabalho e das dores que sente até hoje. Ela não conseguia comer dentro do aterro sanitário e acabava ficando muitas horas com o estômago vazio.
“A doutora passou remédio pra mim e tomar bastante leite, mas, mesmo assim, tem dia que estou com aquele problemazinho no estômago”, conta a ex-catadora, que hoje está em processo de alfabetização, mas já comemora a evolução no aprendizado.
“Vim pra aqui sem saber ler, nem saber escrever, e não sabia nem me comportar no meio do pessoal. Hoje eu tô me sentindo outra pessoa. Sei já um pouquinho, não sei muito, mas já sei escrever, sei pegar na caneta”, diz Adenair.
Quando o aterro fechou, diversas promessas foram feitas para a população local, formada em grande parte por ex-catadores: indenização, cursos de capacitação, criação de polo de reciclagem, saneamento básico. Mas a realidade dessa população é ainda pior, pois poucos conseguiram uma profissão na qual pudessem garantir o sustento da família.
“No espaço onde nós estamos um dia funcionou aqui um curso de pedreiro da Faetec. Se nós procurarmos hoje um pedreiro formado nesse espaço aqui, eu acho que vai ser como procurar uma agulha no palheiro. Então, houve muito alguma badalação pós-fechamento, muitas pessoas ligadas a governos municipal, estadual e federal arrecadaram em nome disso. Porém, capacitar, que era o que deveriam fazer, isso pouco aconteceu”, afirma Anderson.

Saiba mais no g1

Novidades

Férias de julho cheias de diversão e aprendizado: confira opções de colônias gratuitas e particulares em Niterói

09/07/2026

As férias de julho trazem uma variedade de colônias na cidade para atender famílias que precisam con...

Mudança climática pode eliminar até 34% das plantas usadas por povos da Amazônia, diz estudo

09/07/2026

A mudança climática pode provocar o desaparecimento local de até 34% das plantas usadas por povos in...

Com espaços fluidos, escola integra a natureza à aprendizagem

09/07/2026

Na era dos sons das notificações e das respostas rápidas ao alcance das mãos, proibir celulares nas ...

Novo estudo indica por que a Antártica congelou milhões de anos antes do Ártico

09/07/2026

A Antártica Oriental abriga o maior manto de gelo da Terra, com água suficiente para elevar o nível ...