
31/05/2022
Por trás dos portões que receberam cerca de 80 milhões de toneladas de lixo ao longo de 34 anos, hoje existe uma área reflorestada no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
As montanhas de lixo — onde mais de 1.700 homens e mulheres disputavam espaço com animais — deram lugar a uma enorme área verde. Mas, 10 anos após o fechamento do que foi o maior lixão da América Latina, do outro lado dos muros o que se vê é o total descaso do poder público.
A 200 metros da entrada do aterro, moradores vivem sem saneamento básico, água encanada ou coleta de lixo.
Segundo o Fórum Comunitário de Jardim Gramacho, cerca de 40 mil pessoas vivem no bairro atualmente.A comunidade é formada basicamente por ex-catadores, cuja situação piorou drasticamente após o fechamento do espaço.
Um dos ex-catadores é Alefe Viana, de 28 anos. O sorriso largo esconde a vida de raras oportunidades. Morando em um barraco de madeira com cerca de três metros quadrados, cuida sozinho da filha, após ter ficado viúvo quando ela tinha apenas 8 meses de vida.
Mesmo assim, o brilho no olhar é de quem ainda tem esperança que as coisas mudem.
“Foi a maior barra, mas Deus está no controle e, hoje em dia, ela (filha) está bem, com 3 anos. Eu vivo assim, me superando e me reinventando”, diz o rapaz.
No caso de Alefe, as dificuldades de criar um bebê sozinho não se limitaram a trocar fralda, cozinhar e colocar para dormir. Ele fez isso sem ter bica dentro do barraco para cozinhar nem banheiro com chuveiro e vaso sanitário. Mesmo assim, a esperança é o que fala mais alto.
“Nada foi feito, não voltaram depois para explicar nada, o que vai acontecer, que ano que vai se fazer, que ano que vai terminar, ou quando que vai começar, e isso está no papel, não saiu do papel. Não tenho água encanada, não tenho saneamento básico, o meu propósito é eu me reerguer na vida para eu botar o meu encanamento”, conta o rapaz, que hoje está desempregado.
Alefe começou a trabalhar nas imensas montanhas de lixo de Gramacho aos 16 anos.
Como a legislação da época não permitia a permanência de menores em aterros sanitários, ele catava recicláveis para vender durante a noite, na clandestinidade, e com maior risco de atropelamento, já que centenas de caminhões subiam e desciam o aterro com apenas a luz dos faróis.
Quando o aterro fechou as portas, no dia 3 de junho de 2012, ele já tinha 19 anos e recebeu uma indenização de R$ 14 mil, que usou para pagar dívidas e ajudar a família.
A reportagem completa pode ser lida no g1
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