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Desmatamento na Mata Atlântica cresceu 66% em um ano

31/05/2022

No dia 27 de maio é celebrado o Dia da Mata Atlântica, um dos maiores biomas do mundo em biodiversidade e atualmente um dos mais ameaçados – o bioma conta apenas com 12% de sua área original e cerca de 7% da sua cobertura original em bom estado de conservação. E esta devastação aumentou ainda mais: no último ano, o desmatamento da Mata Atlântica cresceu 66%.
De acordo com o Atlas da Mata Atlântica, entre 2020 e 2021 foram desmatados 21.642 hectares (ha) da Mata Atlântica, um crescimento de 66% em relação ao registrado entre 2019 e 2020 (13.053 ha) e 90% maior que entre 2017 e 2018, quando se atingiu o menor valor de desflorestamento da série histórica (11.399 ha).
O Atlas da Mata Atlântica é realizado desde 1989 pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e, a edição deste ano, revela que a perda de florestas naturais equivale a mais de 20 mil campos de futebol e representar a emissão de 10,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera.
O mapeamento abrange o território dos 17 Estados definidos no Mapa da Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428 de 2006), que, publicado pelo IBGE em 2008, contempla a configuração original das formações florestais nativas e dos diversos ecossistemas associados do bioma. Nesta edição, as imagens de satélites da família LANDSAT utilizadas anteriormente foram substituídas por imagens Sentinel, que permitem aumentar a acurácia das análises.
A Mata Atlântica ocupa cerca de 15% do território nacional. Sua preservação garante abastecimento de água, regulação do clima, pesca, energia elétrica e turismo. Mesmo assim, apenas dois estados apresentaram queda no desflorestamento. Cinco acumulam 89% do desflorestamento verificado: Minas Gerais (9.209 ha), Bahia (4.968 ha), Paraná (3.299 ha), Mato Grosso do Sul (1.008 ha) e Santa Catarina (750 ha).
O aumento foi registrado inclusive em estados que estavam se aproximando do fim definitivo do desmatamento, como São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe e Pernambuco, revertendo uma trajetória de alguns anos.
Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte tiveram desflorestamento menor que 50 hectares, porém, por serem regiões constantemente cobertas por nuvens, o que restringe a observação via satélite, não se pode afirmar categoricamente que estão em situação de desmatamento zero.
“É um problema que afeta todo o país e impacta diretamente a sociedade, pois 70% da população e 80% da economia brasileira se concentram na região. Se as derrubadas persistirem, vai faltar água, vai faltar alimento, vai faltar energia elétrica”, explica Luis Fernando Guedes Pinto, Diretor de Conhecimento da SOS Mata Atlântica e coordenador do Atlas
“É uma ameaça à vida, um desastre não só para o Brasil como para o mundo, pois importantes referências internacionais apontam a Mata Atlântica como um dos biomas que precisam ser restaurados com mais urgência para atingirmos a meta de redução de 1,5°C de aquecimento global estabelecida no Acordo de Paris. Mas estamos percorrendo o caminho oposto, em direção a sua destruição”, finaliza Guedes Pinto.

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