
19/05/2022
No final dos anos 1970, o meteorologista Jonathan Shanklin, do British Antarctic Survey (BAS —o órgão britânico de pesquisas na Antártida), passou boa parte do seu tempo fechado em um escritório em Cambridge, no Reino Unido, estudando os registros de dados do continente mais ao sul do nosso planeta.
Shanklin era responsável por supervisionar a digitalização dos registros mantidos em papel e computar os valores dos espectrofotômetros Dobson —instrumentos em terra que medem as alterações do nível de ozônio na atmosfera.
Com o passar dos anos, Shanklin começou a ver que algo estava acontecendo. Após cerca de duas décadas de medições razoavelmente constantes, ele observou que os níveis de ozônio começaram a cair no final dos anos 1970.
Mas os chefes de Shanklin inicialmente não tinham a mesma certeza de que havia algo em andamento, o que deixou o meteorologista frustrado.
Em 1984, a camada de ozônio sobre a estação de pesquisas britânica da Baía de Halley, na Antártida, já havia perdido um terço da sua espessura em comparação com as décadas anteriores.
No ano seguinte, Shanklin e seus colegas Joe Farman e Brian Gardiner publicaram suas conclusões, sugerindo que a redução estaria relacionada a um composto produzido pelo homem: os clorofluorcarbonos (CFC), utilizados em aerossóis e aparelhos de refrigeração.
Essa descoberta —a redução da camada de ozônio sobre a Antártida— acabou conhecida como o buraco na camada de ozônio.
À medida que a notícia da descoberta se alastrava, um alarme soava em todo o mundo. Projeções de que a destruição da camada de ozônio prejudicaria a saúde dos seres humanos e dos ecossistemas despertaram o medo do público, mobilizaram pesquisas científicas e fizeram com que os governos do planeta colaborassem entre si de forma sem precedentes.
Desde o seu apogeu nos noticiários, a história de um dos problemas ambientais mais graves já enfrentados pela humanidade perdeu grande parte da atenção do público.
Mas, afinal, mais de 30 anos após a sua descoberta, o que aconteceu com o buraco na camada de ozônio?
O ozônio é principalmente encontrado na estratosfera, que é uma camada da atmosfera localizada entre 10 km e 50 km acima da superfície da Terra.
Essa camada de ozônio forma um escudo protetor invisível sobre o planeta, absorvendo a perigosa radiação ultravioleta do Sol. Sem ela, a vida na Terra não seria possível.
O BAS começou a medir as concentrações de ozônio sobre a Antártida nos anos 1950. Mas várias décadas se passaram até se demonstrar que havia um problema.
Em 1974, dois cientistas —o mexicano Mario Molina e o americano F. Sherry Rowland— publicaram sua teoria de que os CFCs poderiam destruir o ozônio da estratosfera terrestre.
Acreditava-se até então que os CFCs fossem inofensivos, mas Molina e Rowland indicaram que essa premissa estava errada.
Suas descobertas foram atacadas pelas indústrias, que insistiam que seus produtos eram seguros. E, entre os cientistas, a pesquisa também foi contestada.
Projeções indicavam que o esgotamento do ozônio seria pequeno (2% a 4%) e muitos acreditavam que aconteceria ao longo de séculos.
Os CFCs continuavam sendo usados sem controle e, na década de 1970, eles já estavam presentes em todo o mundo, sendo empregados para a refrigeração de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, em latas de aerossol e como agentes de limpeza industrial.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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