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Banho de lama encerra viagem de elefanta da Argentina a Mato Grosso

17/05/2022

Após cinco dias de uma viagem longa e cansativa, mas sem imprevistos, finalmente as elefantas asiáticas Pocha, 55, e Guillermina, 22, chegaram ao SEB (Santuário de Elefantes Brasil) na Chapada dos Guimarães, região metropolitana de Cuiabá, local que será a nova casa da dupla.
O caminhão que trouxe mãe e filha de Mendonza, na Argentina, até Mato Grosso estacionou no santuário por volta das 11h de quinta-feira (12). Um grupo de especialistas e veterinários estavam no local para recepcioná-las.
A primeira caixa a descer do caminhão foi a que trouxe Pocha. Ela foi colocada na entrada do centro veterinário do santuário, único local coberto do espaço e que é utilizado para os cuidados médicos e treinamento dos animais que chegam em seu novo habitat.
Logo que a primeira caixa se abriu, um banquete com frutas, verduras e folhas de palmeiras e embaúbas esperava por Pocha. Apesar das guloseimas oferecidas, Pocha se manteve desconfiada, analisando o novo local —sua última mudança ocorrera havia 54 anos, desde que deixou a Alemanha rumo à Argentina.
Pocha ficou ali por horas, jogando terra com a tromba em seu corpo para espantar os insetos e se proteger do sol, até a chegada de uma chuva repentina. Pocha não perdeu tempo e, com a lama que se formou, besuntou o seu corpo, brincadeira que os elefantes adoram.
Até o fim da tarde de quinta-feira (12), Pocha ainda não tinha saído da caixa, sempre ia e voltava, sinalizando estar em dúvida quanto aos seus movimentos. Logo que Pocha deixar a caixa, será a vez de sua filha, Guillermina.
À Folha Daniel Moura, biólogo e diretor do SEB, explica que esse processo pode ser demorado ou não, mas que é importante deixar o animal no comando para facilitar o processo de confiança.
Mesmo com a demora de Pocha, o biólogo acredita que no caso de Guillermina a etapa será mais rápida, já que ela verá sua mãe dentro do centro veterinário do SEB.
Daniel conta que o espaço é o primeiro local que os animais conhecem no santuário. "Se elas não quiserem tomar banho de chuva, elas correm para cá, mas, como elas amam a chuva, poucas vezes elas vêm", diz.
O local é necessário para que os animais passem pelo processo de adaptação e treinamento e para que os veterinários possam acessar o corpo dos bichos para os cuidados.
"A gente chama de reforço positivo. A gente dá algumas coisas que elas gostam de comer, como frutas, para que elas permitam que a gente as treine, que elas recebam comandos e elas possam permitir que a gente acesse pata, orelha, parte do corpo delas", explica.
Daniel destaca que esse processo também pode ser demorado.
"Elas não passam por uma bateria de exames logo que chegam. É preciso primeiro o elefante permitir que deixe acessá-lo."
Pocha e Guillermina viviam em uma espécie de fosso de aproximadamente seis metros no Ecoparque na Argentina. "Aqui elas saem de locais minúsculos para um lugar gigantesco com vegetação natural, com outras elefantes para socializarem", diz o biólogo.
"Isso faz toda a diferença no processo de recuperação da saúde física e mental desses animais que viveram em situações inadequadas a vida inteira. A Pocha por pelo menos 55 anos no mesmo recanto e a Guillermina há 22 anos, desde que ela nasceu. Ela nunca viu nada além do fosso em que ela vivia", resume.
Após o processo de adaptação e dos exames adequados, Pocha e Guillermina poderão sair do centro veterinário para outros recintos, que são lugares de 10 mil m2 a 20 mil m2.
Nessas outras etapas, a aproximação com Maia, Rana, Lady, Mara e a Bambi, as demais elefantas moradoras do santuário, ocorrerá "no tempo das recém-chegadas", dizem os responsáveis.

Leia mais na Folha de S. Paulo

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