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Poluição do ar pode significar mais furacões, ou menos: depende de onde você vive

17/05/2022

O aquecimento global pode afetar furacões, em parte porque oceanos mais quentes oferecem mais energia para alimentá-los. Mas esse não é o único fator em jogo. Um estudo divulgado na última quarta-feira (11) confirma que, em termos de frequência de furacões, os efeitos da poluição do ar são ainda maiores.
Ao longo das quatro últimas décadas, demonstra a nova pesquisa, o declínio na poluição em forma de minúsculas partículas de aerossol geradas pelos transportes, produção de energia e indústria, na América do Norte e na Europa, foi responsável pelo número mais alto de furacões e outras formas de ciclones tropicais no Atlântico Norte.
No mesmo período, a poluição crescente gerada pelas economias em expansão da Índia e da China teve o efeito oposto, reduzindo a atividade de furacões no oeste do Oceano Pacífico, de acordo com o estudo.
Número crescente de pesquisas demonstra o vínculo entre ciclones tropicais e o aquecimento global, que resulta das emissões de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa geradas pelas atividades humanas.
Um estudo publicado em 2020, por exemplo, usou dados observacionais a fim de demonstrar que os furacões se tornaram mais fortes e destrutivos da década de 1980 em diante por causa do aquecimento global e da absorção de mais calor pelos oceanos.
O novo estudo avalia o número, mas não a força desse tipo de tempestade. O autor, Hiroyuki Murakami, disse que o trabalho demonstra que reduzir ou aumentar os aerossóis antropogênicos "é o componente mais importante" para determinar a frequência das tempestades.
James Kossin, cientista da consultoria The Climate Service, que avalia riscos climáticos para empresas, e autor do estudo de 2020, afirmou que as pesquisas de Murakami eram compatíveis com outros trabalhos que demonstram que "o aquecimento causado pela redução da poluição regional teve efeito mais profundo sobre as atividades de furacões" do que o aquecimento do oceano causado pelo volume maior de gases causadores do efeito estufa. O novo estudo "tenta oferecer um contexto mais global para demonstrar como as mudanças regionais no clima vêm ocorrendo", ele afirmou.
O estudo foi publicado na quarta-feira pela revista científica Science Advances.
Murakami, cientista físico do laboratório de dinâmica de fluidos geofísicos da Administração Nacional do Oceano e Atmosfera americana, em Princeton, Nova Jersey, usou simulações em computadores para fazer algo que seria impossível em termos práticos no mundo real: isolar os efeitos de poluentes como o dióxido de enxofre. Eles formam aerossóis, pequenas partículas que, como componente da poluição do ar, são prejudiciais à saúde humana. Também têm a capacidade de bloquear o sol e impedir que sua luz atinja a superfície da Terra.
Nas últimas décadas, a poluição por aerossóis diminuiu por talvez até 50% na América do Norte e na Europa, como resultado de leis e regulamentos que reduziram as emissões provenientes de fontes como veículos e usinas de energia. As temporadas de furacões no Atlântico Norte foram mais ativas, ao longo do mesmo período, com um número maior de tempestades do que o registrado em décadas passadas.
No Atlântico Norte, constatou Murakami, o declínio nos aerossóis conduziu a um aquecimento que teve dois efeitos sobre os ciclones tropicais: primeiro, a redução na poluição resultou em maior aquecimento do oceano, o que significa que existe mais energia para que se formem tempestades.
O declínio na poluição conduziu a aquecimento em terra, igualmente, e o aquecimento combinado afetou a circulação atmosférica, enfraquecendo os ventos na porção superior da atmosfera. Isso, por sua vez, reduziu o gradiente do vento (windshear), as mudanças de velocidade e direção do vento que podem afetar a maneira pela qual tempestades ciclônicas se desenvolvem. Um gradiente de vento menor significa que tempestades se formam com mais facilidade.

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