
12/05/2022
Em meio a área verde característica da Serra Curral, em Minas Gerais, trabalhadores e maquinários se destacam em meio à paisagem. Operários, com uniformes e capacetes perfuram poços de água em um local que pode fazer parte das instalações de um projeto de mineração licenciado pelo governo estadual no dia 30 de abril.
Esses poços têm o objetivo de garantir o abastecimento emergencial de água de Belo Horizonte e região, caso haja eventuais rompimentos de barragem que comprometam a bacia do rio das Velhas.
Outro contraste com a paisagem é causado por ambientalistas e moradores, que carregam faixas e megafones enquanto protestam contra a mineração no local. A segurança hídrica de BH e das cidades da região metropolitana é uma das principais preocupações de quem é contrário à instalação do empreendimento da Taquaril Mineração S.A. (Tamisa) na Serra.
As obras fazem parte do Termo de Ajustamento de Conduto (TAC) assinado pela Vale com o Ministério Público, o governo de Minas Gerais e a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), após o rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho.
De acordo com Apolo Heringer Lisboa, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), diversas nascentes e cursos de água da Serra do Curral que abastecem o rio das Velhas irão secar com o rebaixamento do aquífero, causado pelo empreendimento da Tamisa.
Os poços que estão sendo perfurados também deixariam de ser suficientes para garantir a segurança hídrica da região.
"A serra é uma reserva de água enorme, que vai aparecendo nas nascentes o ano inteiro e mantendo o rio das Velhas com água. Nós estamos destruindo o rio das Velhas e o abastecimento de Belo Horizonte e das cidades que estão aí para baixo", disse Lisboa durante visita técnica à Serra organizada pela comissão de administração pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que a reportagem acompanhou na última segunda (9).
O sistema de captação de água de Bela Fama, na bacia do Rio das Velhas, é responsável pelo abastecimento de 70% da cidade de Belo Horizonte e de 40% da região metropolitana.
Para Duda Salabert, vereadora de Belo Horizonte, a localização dos poços mostra que o próprio governo estadual e a Copasa reconhecem a importância da área para a segurança hídrica da capital.
Segundo a mineradora Vale, as obras de perfuração dos poços foram iniciadas em janeiro de 2021 e devem ser concluídas nos próximos meses.
O geólogo Eclison Tolentino explica que a Serra do Curral é formada por uma rocha chamada itabirito, uma rocha sedimentar, porosa, que permite grande infiltração de água.
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