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As ´florestas fantasmas´ usadas por empresas em marketing ambiental enganoso

12/05/2022

A captura de carbono por meio do aumento da cobertura florestal virou uma estratégia fundamental na luta contra as mudanças climáticas. Mas há um problema.
Às vezes, essas florestas existem apenas no papel — seja porque promessas não foram cumpridas ou porque as árvores plantadas morreram ou foram até mesmo derrubadas. Agora, um novo esforço está sendo feito para monitorar essas práticas.
A cientista Jurgenne Primavera está em uma canoa na costa de Iloilo, nas Filipinas. A cena é idílica, mas ela está com um semblante de preocupação.
Há seis anos, essas águas rasas foram semeadas com manguezais como parte do ambicioso Programa Nacional de Esverdeamento do país, mas agora não há nada em vista além de água e céu azuis.
Primavera conta que 90% das mudas plantadas aqui morreram porque o tipo de planta era mais adequado para riachos lamacentos do que para esta área costeira arenosa.
Ainda assim, o governo optou por essas mudas, segundo a cientista porque elas são mais fáceis de plantar e mais abundantes.
"A ciência foi sacrificada em nome da conveniência de plantio."
O Programa Nacional de Esverdeamento foi uma tentativa de cultivar 1,5 milhão de hectares de florestas e manguezais entre 2011 e 2019, mas um relatório da Comissão de Auditoria do país revelou que nos primeiros cinco anos do programa 88% das metas fracassaram.
Nos últimos anos, muitos programas ambiciosos de restauração e plantio de florestas foram lançados, incluindo o Bonn Challenge para restaurar 350 milhões de hectares de paisagem desmatada e degradada em todo o mundo e a iniciativa Trillion Trees para conservar e cultivar um trilhão de árvores antes do final da década.
Há também projetos regionais como a Iniciativa 20X20 para a América Latina e o Caribe, a Great Green Wall na África Subsaariana e o programa AFR100 que abrange o continente como um todo.
Embora esses projetos tenham até 2030 para atingir suas metas, ainda há um longo caminho pela frente. Em alguns casos, simplesmente não se sabe quanto progresso já foi feito.
O Bonn Challenge tem um "termômetro" para acompanhar os desenvolvimentos, mas apenas seis países apresentaram os dados necessários.
Questionada se a meta de 2020 do Bonn Challenge de restaurar 150 milhões de hectares foi alcançada, a diretora do programa disse que a meta pode até ter sido alcançada mas que "o progresso não foi totalmente documentado".
No caso da Iniciativa 20X20, os participantes relatam que foram tomadas medidas para proteger e restaurar mais de 22 milhões de hectares, mas um especialista com conhecimento sobre o projeto disse à BBC que menos de 10% desse número foi de fato restaurado até 2020.

Saiba mais no g1

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