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Pequeno réptil de 225 milhões de anos encontrado no RS é identificado por pesquisadores brasileiros

05/05/2022

Um estudo publicado na revista científica PeerJ, na terça-feira (3), por pesquisadores brasileiros desfaz uma confusão ao mesmo tempo que identifica um novo réptil de 225 milhões de anos, cujos fósseis foram encontrados no sítio fossilífero Linha São Luiz, localizado em Faxinal do Soturno, na Região Central do Rio Grande do Sul: o Maehary bonapartei.
A pesquisa faz uma revisão sobre um pequeno réptil denominado Faxinalipterus minimus, proveniente de rochas do período Triássico. Ele foi descrito em 2010, sendo atribuído ao grupo Pterosauria, que reúne os primeiros vertebrados a desenvolverem o voo ativo.
Só que a descrição considerava um fóssil composto por ossos do esqueleto pós-cranial e por uma parte do crânio (uma maxila com dentes) encontrados em duas expedições de campo, ocorridas separadamente em 2002 e 2005.
Logo, não era possível afirmar com certeza que todas as partes pertenceriam a um mesmo tipo de animal, ainda que tenha sido admitido, na época, que todos os ossos pertenciam a uma única espécie.
"O conhecimento presente das faunas de finais do Triássico indica que a disparidade de animais da época na qual datam os primeiros pterossauros era tão grande que encontram-se animais que à primeira vista poderiam lembrar pterossauros, mas realmente não são. Isso foi o que aconteceu com Faxinalipterus e Maehary", diz Borja Holgado, especialista em pterossauros do Institut Català de Paleontologia Miquel Crusafont de Barcelona, na Espanha, e atualmente pesquisador da Universidade Regional do Cariri, no Ceará.
A nova análise permitiu estabelecer de fato que existiam ali duas espécies distintas, cuja maxila pertenceria a outro animal – o que só foi possível com base na comparação com um novo fóssil encontrado recentemente no mesmo sítio.
"O material no qual o Faxinalipterus é baseado é muito frágil e muito incompleto. Além disso, partes dos ossos estavam encobertas por rocha, necessitando uma preparação mais detalhada", explica Cesar Schultz, da UFRGS, e um dos autores do trabalho de 2010 e da nova pesquisa que acaba de ser publicada.
O novo fóssil é composto por um crânio incompleto, cuja maxila exibe as mesmas feições da maxila atribuída a Faxinalipterus, além de partes da mandíbula, partes de uma escápula e de vértebras. Assim, ela pôde, então, ser incorporada à descrição do novo fóssil, que recebeu o nome Maehary bonapartei.
"Sempre houve uma grande dúvida se os dois exemplares atribuídos ao Faxinalipterus representavam uma mesma espécie, e se esta se tratava de um réptil alado", comenta Alexander Kellner, especialista em pterossauros que atualmente dirige o Museu Nacional da UFRJ.
Ao examinar o exemplar logo após a publicação, em 2010, Kellner viu que diversos ossos poderiam estar mal identificados e a falta de características diagnósticas dos pterossauros – entre elas, a ausência de feições específicas no úmero (osso do braço), como uma projetada crista deltopeitoral, que é típica dos pterossauros.
"No trabalho original de 2010, verificamos que os dentes presentes na maxila de Faxinalipterus eram muito espaçados entre si, o que é uma característica de pterossauros primitivos do Triássico. Porém, a tomografia da maxila demonstrou que os dentes não eram separados, pois muitos dentes haviam sido perdidos na fossilização. Com isso, o padrão da dentição e o próximo espaçamento entre os alvéolos [cavidades onde os dentes se inserem] não eram condizentes com pterossauros", destaca a cientista Marina Soares.
Borja Holgado analisou o material e concordou com as conclusões iniciais.
"Estava claro para mim que se trata de um réptil primitivo que não pertencia aos pterossauros, pois não apresentava nenhuma feição inequívoca dessa linhagem", esclarece Holgado.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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