
03/05/2022
Levar iluminação para quem precisa, com energia solar e materiais acessíveis. Este é o trabalho da ONG Litro de Luz que, em 3 dias de ação, impactou positivamente a qualidade de vida de 173 famílias, de comunidades ribeirinhas que vivem às margens do Rio Negro, na Amazônia.
Nas comunidades de Nova Canaã do Aruaú, Nova Jerusalém do Mipindiaú e Lindo Amanhecer, mais de 670 pessoas dependiam de geradores à diesel para ter algumas horas por dia de acesso à energia. Além da poluição, barulho e mal cheiro que produzem, estas máquinas quebram frequentemente e é comum que as comunidades fiquem sem eletricidade por meses. Essa realidade mudou nos dias 21, 22 e 23 de abril.
“Que possamos transformar a vida dessas comunidades. Já acompanhei as ações da Litro de Luz e sei que vocês transformam a vida das pessoas”, foram as palavras de Alcinéia Lucena da Costa, no primeiro dia de ação. Néia, como é conhecida, é coordenadora de viagens de outra ONG, a Justiça e Misericórdia Amazon, responsável pelo barco que serviu de casa durante 4 dias para 37 pessoas que participaram da ação.
Com o apoio da Audi do Brasil e Audi Environmental Foundation, foram instalados 30 postes solares e mais de 150 lampiões foram entregues para os moradores das 3 comunidades – pessoas que vão ganhar mais autonomia e segurança para as mais diferentes tarefas. “Hoje temos que jantar bem cedo, porque comemos muito peixe e precisamos ver se tem espinha”, explica Edinelsa Braga Barros, moradora de Nova Canaã do Aruaú.
Edinelsa mora com o marido e dois netos e montou o próprio lampião solar com a ajuda dos voluntários da Litro de Luz. A montagem dos equipamentos por moradores da própria comunidade faz parte do processo de trabalho da ONG. “Quando eles montam os lampiões e postes, criam um senso de dono e passam a cuidar melhor de cada equipamento. É uma construção conjunta”, explica Samara Nogueira, voluntária que veio do Rio de Janeiro para esta ação.
“Quando eu apertei o botão e acendeu a luz, foi uma alegria imensa! Nunca imaginei que poderia construir um lampião!” comemora Dona Edinelsa. Ela conta que com o lampião vai economizar o dinheiro que gastava com pilhas para lanterna e que os netos vão poder estudar em casa, mesmo depois que anoitece.
A possibilidade de crianças e jovens estudarem em casa, no período em que os pais estão disponíveis, e a possibilidade de preparar suas aulas no período da noite foram conquistas que os lampiões trouxeram para Augusta Ferreira, professora da Escola Municipal Estrela da Manhã, na comunidade de Nova Canaã do Aruaú.
Além das mudanças que a iluminação traz para a vida dentro de casa, as comunidades vão também se tornar mais seguras. A criminalidade é uma ameaça que vem crescendo, mesmo nestes lugares mais afastados. Acostumadas a dormirem com portas e janelas abertas, as famílias passaram a trancar as casas, devido a casos de violência. “Agora vamos conseguir ver quem está vindo e quem está indo, vai ser muito importante”, finaliza Edinelsa.
Para quem tem acesso à energia elétrica a qualquer hora do dia, nem sempre é fácil entender o impacto que a iluminação traz, principalmente para quem vive em locais afastados. Mas, basta conversar com com os moradores das 3 comunidades que receberam postes e lampiões solares, para entender a emoção que sentem ao ver os postes acendendo pela primeira vez, sem o barulho e problemas trazidos pelos geradores.
Valdemir Nascimento é diretor técnico do Posto de Saúde de Nova Jerusalém do Mipindiaú e conta que as picadas de cobra e escorpião durante a noite são comuns na comunidade, porque as pessoas simplesmente não enxergam onde pisam.
Agora, com a luz do lampião, a segurança de quem precisa sair de casa à noite vai aumentar. Valdemir também vai poder organizar os dados dos atendimentos que faz depois de jantar com a mulher, Dona Maria da Graça. “É uma alegria para todo mundo! Vou poder trabalhar, vamos jantar com a luz do lampião, coisa que não fazemos com a luz de vela”, conta ele.
Maria da Graça lembra que a família passou o Natal no escuro e que, até então, nunca teve um poste em frente à sua casa, que fica na margem do Rio Negro.
A falta de iluminação também é um problema para os barcos que circulam pela região. Quedas de passageiros que embarcam e desembarcam e erros de rota pela falta de visibilidade são frequentes, porque muitos barcos chegam e saem antes do amanhecer.
Antônio Calcagnotto, responsável por assuntos institucionais e Sustentabilidade na Audi do Brasil, participou de toda a ação e testemunhou pessoalmente a diferença que os postes fazem. “Acordei mais cedo com o barulho de um barco. Era o recreio, barco que chega de Manaus em Nova Jerusalém. Deu para ouvir a surpresa das pessoas: ‘Olha, agora tem luz!’. Foi emocionante”, relata.
A ação nas comunidades ribeirinhas começou muito antes da presença dos voluntários e da chegada da luz solar. Cada comunidade recebeu visitas prévias, desde 2019 e, nestes encontros, moradores decidiram em conjunto com a equipe da ONG quais seriam os locais de instalação de cada poste, as famílias que iriam participar da montagem dos equipamentos e quem seriam os embaixadores e embaixadoras da Litro de Luz.
A matéria na íntegra pode ser lida no Ciclo Vivo
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