
19/04/2022
O enólogo norueguês Bjørn Bergum conversa com suas videiras.
"Você tem que ter uma conexão com elas. Quando eu acordei esta manhã, havia 3 cm de neve. Eu estava dizendo a elas: ´Não tenham medo — o tempo vai melhorar à tarde.´"
Talvez as plantas de Bjørn precisem de um incentivo extra; elas estão crescendo 61 graus ao norte do Equador — muito fora da latitude 30-50 graus tradicionalmente considerada ótima para a produção de vinho.
O aquecimento global está empurrando os vinhedos mais ao norte e ao sul, em direção aos polos.
Essa tendência é perfeitamente clara, segundo Greg Jones, climatologista especializado em produção de uvas e vinhos e proprietário de uma vinícola, a Abacela, no Oregon (EUA).
"Muitos de nossos limites climáticos frios mudaram. Eles foram mais ao norte no hemisfério norte e mais ao sul no hemisfério sul."
O vinhedo Slinde, que Bjorn administra com a parceira Halldis, está na parte final desses novos limites. Próximo do Sognefjord, o fiorde mais longo e profundo da Noruega, as vinhas crescem em encostas que pegam sol, mas ficam de frente para montanhas cobertas de neve.
Bjørn se lembra do fiorde congelando no inverno durante sua infância, mas ele diz que isso nunca mais aconteceu. Ele notou outras mudanças no clima ao longo dos anos.
"Quando chove, chove mais, mas quando está quente, está mais quente também."
Embora se preocupe com o planeta e com seu próprio país, ele reconhece que, como produtor de vinho, as alterações climáticas estão a seu favor.
Mesmo assim, ainda é um desafio produzir vinho tão ao norte. Bjørn diz que é preciso dedicação.
"Faço tudo pelos meus 2,7 mil bebês. Fico acordado à noite se precisar, para ajudá-las a sobreviver se uma geada estiver a caminho."
Ele trabalha com uma variedade de uvas para criar misturas com notas tropicais e um teor de minerais que ele diz vir do solo argiloso.
Um ingrediente secreto é a qualidade especial da luz do norte.
"Temos muita luz aqui. Essa é a nossa vantagem. E temos noites frias. E também temos o sol dos reflexos do fiorde na encosta íngreme."
"Assim, as uvas, as folhas, absorvem muitos aromas na sua pele, e os retiramos para fazer bons vinhos."
Mas não é fácil convencer a todos que vale a pena provar o vinho norueguês, diz Bjørn.
"Algumas pessoas dizem: ´Não conte a ninguém, mas eu nunca provei um vinho como este. É muito bom — talvez o melhor que eu já provei.´
"Mas eles não se atrevem a dizer isso quando voltam para a Alemanha ou outros países porque acho que eles querem se integrar com o mundo dos vinhos, e nesse caso não é muito bom dizer que provaram um vinho norueguês bom."
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
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