
12/04/2022
Apesar de sua beleza, o peixe-leão representa uma grande ameaça para a biodiversidade brasileira e representa riscos à nossa saúde. A espécie não é natural do Brasil, mas há ocorrências de aparição na costa do Pará e de Fernando de Noronha (PE), o que tem deixado especialistas em alerta.
Diante desse cenário, o Ministério do Meio Ambiente criou uma campanha para orientar turistas, pescadores e mergulhadores para o aparecimento dessa nova espécie marinha em águas brasileiras.
De acordo com Jean Vitule, do Laboratório de Ecologia e Conservação do Departamento de Engenharia Ambiental, da Universidade Federal do Paraná, o peixe-leão chama atenção por sua exuberância: tem o corpo listrado de branco com tons laranja, vermelho e marrom. Mas esse animal, possui 18 grandes espinhos espalhados pela região dorsal, com um veneno capaz de causar muita dor.
“Ela possui peçonha, injetam o veneno que é bem dolorido. Essa defesa, evita que o peixe-leão seja predado. E mais do que isso: representa grande risco aos seres humanos, apesar da substância química normalmente não ser fatal (em pessoas saudáveis), a dor pode ser muito intensa", conta.
“A presença desse peixe exótico pode estar relacionada a uma nova soltura de criador de peixes de aquários ornamentais (aquariofilia), o que, inclusive, vem sendo investigado. A outra possibilidade é que alguma larva desse animal tenha atravessando a pluma do Amazonas que é um filtro para algumas espécies.”, conta o especialista.
Soltar uma espécie exótica invasora no ecossistema onde ele não é ativo é muito perigoso. E o impacto pode ser enorme.
“Assim como outras espécies exóticas, eles não são reconhecidos pelas presas e predadores, e isso representa alimento fácil, pois se aproximam e os animais não se defendem tentando fugir, nem atacam. Essa mesma espécie do Indo-Pacífico, invadiu a região do Caribe, antes de chegar ao nosso país e o impacto foi enorme", explica.
O peixe-leão se alimenta de outros peixes, além de crustáceos, invertebrados. Esse animal exótico tem um apetite voraz e não é caçado por nenhuma outra espécie, o que faz a população desse invasor aumentar muito depressa, e aumentar sua distribuição. Situação que coloca em risco as espécies nativas.
A ICMBio criou um passo a passo dando dicas de como se proteger do animal e ajudar os pesquisadores a mapearem essa espécie que está se desenvolvendo no país.
“É muito importante que as pessoas colaborem. Quem observar a espécie deve relatar. Porque os registros são super importantes para monitorar o crescimento populacional dessa espécie exótica. Além disso, com mais informações é possível avançar em pesquisas sobre esse animal", explica Vitule.
A matéria completa pode ser lida no g1
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