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No Pantanal da vida real, estrada é o curso do rio, pôr-do-sol de ´cinema´ é todo dia e respeito à natureza é obrigação

31/03/2022

Com estreia na segunda-feira (28), o remake da novela “Pantanal” tem como inspiração a realidade de cerca de 600 famílias pantaneiras, que vivem às margens dos rios da região, isolados em meio a maior planície alagável do planeta, no coração do Centro-Oeste.
A vida pantaneira segue um ritmo próprio. As regras são ditadas pelas fases da lua, pelo ciclo de vida dos animais e pelas águas. Para chegar aos locais mais afastados, onde as pessoas vivem ilhadas, é necessário seguir pelo curso do rio por horas.
O Pantanal é considerado a maior planície inundável do mundo - possui cerca de 250 mil quilômetros quadrados que se divide entre o lado norte, no Mato Grosso (MT) e no Mato Grosso do Sul (MS). A proteção da região é de responsabilidade conjunta do governo federal, por meio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, e dos dois governos estaduais.
Atualmente, de acordo com levantamento realizado pelo projeto ‘Povo das Águas’, a região pantaneira em Mato Grosso do Sul conta com mais de 600 famílias, o que corresponde a aproximadamente 3.250 pessoas.
A Área de Proteção Ambiental (APA) da Baía Negra, em Ladário (MS), é liderada por cinco mulheres: “nascidas e criadas no Pantanal”. Entre elas, Virgínia Lito, divide 51 anos, dos seus 55 de vida, com essa região, em que a paz transmitida pela natureza pode ser sentida em pequenas demonstrações, como os cantos dos pássaros.
Virginia relatou que a rotina do pantaneiro se orienta aos sinais da natureza, junto com os primeiros raios do sol é a hora de levantar, e aos sinais da lua, é o momento de se recolher.
“A rotina do pantaneiro é acordar cedo, acender o fogo a lenha, passar um café e ir para a lida, para depois retornar para casa e descansar para o outro dia. Por aqui o tempo é diferente. Descemos o rio, pescamos peixe e nos alimentamos com o que a natureza dá, esse privilégio não tem nada que pague”, disse.
Ao ser questionada se tem algum receio de viver reclusa em meio ao bioma pantaneiro, lugar em que é comum se deparar com jacarés, capivaras, tuiuiús, onças, cobras, macacos e outros tantos nativos do bioma, Virginia é enfática ao afirmar que não há do que temer, respeitando o espaço dos animais.
“Não tenho medo no meio do Pantanal, quando se respeita o espaço desde a formiga, não existe motivo para temer. O respeito pela natureza é o princípio de tudo, sempre! Moro com outras sete mulheres e todas sabemos do privilégio de estar aqui”, destacou.
Com a estreia nesta segunda-feira (28), as gravações de "Pantanal" foram realizadas nos mesmo locais onde foram feitas as da primeira versão, escrita por Benedito Ruy Barbosa em 1990. Virginia está ansiosa para acompanhar a história, que mora no coração de todos os brasileiros, e principalmente no do pantaneiro, que está sendo representado.
“Todo dia me apaixono pelo meu Pantanal, é uma riqueza muito grande que agora todos irão conhecer. Estou muito ansiosa para acompanhar a novela, agora seremos ouvidos e vistos por esse Brasil, isso é muito emocionante”, celebrou.‘Vou ser representado na TV’
Há 23 anos morando na beira do rio, como legítimo pantaneiro, Gerverson Soares Cartelo, de 27 anos, trabalha como peão em uma fazenda na região de sua comunidade na região de Ladário (MS). “Desde cedo a gente aprende a encarar os mosquitos e levar a vida por aqui. Hoje tenho duas pantaneiras, que nasceram dentro do rio Paraguai e mais uma a caminho”, disse.
Com duas crianças em casa e mais um bebê a caminho, ele percorre mais de 80 quilômetros diariamente para trabalhar e buscar sustento para a família. “Trabalho com o gado, trator e formo pasto, com o tempo você se acostuma com a distância. O importante é conseguir o sustento e voltar para ficar com as minhas filhas”, apontou.
O pantaneiro também está ansioso pela estreia do remake Pantanal. Ele não assistiu a primeira versão da novela e espera se reconhecer nos personagens. “Vou ser representado pelo meu Pantanal na TV. Trabalho em fazenda como peão de campo, agora vamos nós assistir, o que é muito gratificante. Será a nossa história sendo vista e falada para o Brasil”, destacou.
Quando questionado sobre o que mais o surpreende no bioma pantaneiro, Gerverson pontua que em cada nova estação, a região se transforma e cada dia é único. Segundo ele, há quem diga que nem parece o mesmo lugar.
“Só vivendo aqui para entender como é especial, não troco meu Pantanal por nada”, afirmou.

Leia a reportagem na íntegra no g1

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