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No Brasil, presidente da COP26 diz que guerra pode acelerar energias limpas

31/03/2022

Alok Sharma, presidente da COP26, a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas realizada no ano passado, diz acreditar que a atual invasão da Rússia na Ucrânia e a situação energética produzida por isso pode levar os países a acelerar a implementação de energias limpas, em busca de segurança energética.
Sharma esteve em São Paulo na segunda-feira (28) para anunciar no país a Gfanz, que é a Aliança de Glasgow pela Descarbonização dos Serviços Financeiros. Esse acordo foi lançado em 2021, durante a COP26, na Escócia. O presidente da conferência encontrou membros do setor financeiro brasileiro.
O presidente da COP26 ressaltou que a ação da Rússia é uma invasão ilegal de uma nação soberana.
"Eu acho que os países entenderam que se você quiser ter segurança energética doméstica, se você quer estar em uma posição em que quer ter algum controle sobre preços, então o jeito de agir é com energias renováveis locais", afirmou Sharma a repórteres.
"Eu acho que o que veremos é aceleração de energia limpa, que é um elemento-chave para se chegar à neutralidade de emissões em qualquer economia."
Sharma diz que temos que nos agarrar ao que já temos no momento, que são as metas climáticas até 2030 e a neutralidade climática até 2050.
O lema da última COP era "manter o 1,5°C vivo", ou seja, a meta preferencial do Acordo de Paris de não deixar que a média da temperatura global ultrapasse um aumento de 1,5°C em relação ao período pré-industrial.
O problema é que mesmo com os avanços alcançados em Glasgow, a sobrevida do 1,5°C já era difícil, como disse o próprio Sharma no encerramento da conferência. "Hoje podemos afirmar com credibilidade que mantivemos o 1,5°C ao nosso alcance", afirmou o presidente da COP26. "Mas seu pulso está fraco."
E um dos pontos atingidos pela guerra da Rússia na Ucrânia é o fornecimento de energia, especialmente para a Europa, que depende fortemente do gás russo. Com a dependência podendo ser usada como uma arma de guerra, países têm corrido para tentar substituir, de qualquer forma, a fonte energética russa.
Os EUA, mais distantes geograficamente, já proibiram a importação do petróleo russo como uma sanção pela guerra.
O resultado da situação europeia é, possivelmente, um maior consumo, pelo menos momentâneo, de carvão, que já havia aumentado no começo deste ano devido a uma retomada econômica após os períodos mais intensos da pandemia de Covid, mesmo antes da guerra na Ucrânia.
A fonte energética é mais poluente que o gás natural, por isso, a substituição deste por aquele é problemática para as já apertadas metas climáticas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, recentemente demonstrou preocupação quanto ao impacto da guerra nas matrizes energéticas mundiais e, consequentemente, na crise climática.
Segundo ele, a corrida para substituição de fontes de energia russa, mesmo sendo pontual, poderia levar a uma dependência de extensão e acabar acelerando a "destruição mutuamente assegurada" do mundo.
"Isso é uma loucura. O vício em combustíveis fósseis é uma destruição mutuamente assegurada", afirmou Guterres.
Durante um painel climático, nesta segunda, Christiana Figueres, ex-secretária geral da agência da ONU para mudanças climáticas e arquiteta do Acordo de Paris, também usou o termo "vício" para tratar da dependência de petróleo e afirmou que não se pode usar a guerra para reduzir as ações climáticas.
"É o nosso vício coletivo em petróleo e gás que está financiando a guerra na Ucrânia."
Além da óbvia dificuldade em uma ampla e rápida transição energética, ainda há as possíveis dificuldades de relacionamento entre as grandes potências para se discutir a crise climática nos próximos meses. A nova rodada de negociações climáticas, a COP27, ocorrerá no final do ano, no Egito.
Guterres, na semana passada, afirmou que a meta de conter o aquecimento global a até 1,5°C estava "respirando por aparelhos".

Fonte: Folha de S. Paulo

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