UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Pantanal da novela da Globo é mais seco e menos verde que o da Manchete dos anos 90

29/03/2022

O Pantanal voltou ao horário nobre na segunda-feira (28), quando estreia a nova edição da novela, um clássico dos anos 1990, agora feita pela TV Globo.
A história de Juma Marruá, Jove e José Leôncio foi ao ar pela primeira vez na TV Manchete há 32 anos e fez um enorme sucesso.
A nova edição vai contar mais uma vez essa história, com um novo elenco —mas não foram só os atores que mudaram.
O Pantanal, que é a maior planície alagada do mundo, vai aparecer mais seco na Globo do que na Manchete.
"Eu nunca tinha visto tão seco assim", diz a bióloga Edna Scremin-Dias, que é professora da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e trabalha ali desde 1982.
Ela conta que os meses de janeiro e fevereiro são época da cheia e que os campos do Passo do Lontra, região que ela mais frequenta, ao sul, deveriam estar alagados e salpicados de lagoas.
"As lagoas estão secas em pleno março, quando o pico da seca costuma ser em julho, agosto. A maioria dos campos não alagou."
Ela também tomou um susto ao ver o rio Abobral ficar sem água. "O rio está parcialmente interrompido. Já tinha visto as águas baixas, mas, desse jeito, foi a primeira vez."
Dados e imagens de satélite mostram que a superfície coberta pela água está diminuindo significativamente no Pantanal.
A imagem acima à esquerda mostra em diferentes tons de azul as partes do Pantanal que estavam em algum momento cobertas por água (sua área inundada) em 1990, quando a novela foi ao ar pela primeira vez.
À direita, a área inundada em 2020 —ano mais recente do monitoramento feito pelo projeto MapBiomas.
A iniciativa, uma cooperação entre universidades, empresas e ONGs, mapeia as mudanças no uso do solo no Brasil a partir da análise computadorizada de imagens de satélite.
Esses dados mostram que a média histórica da área inundada do Pantanal caiu 26% nos últimos 30 anos.
A média foi calculada pela BBC News Brasil com base nos dados da série histórica do MapBiomas, que começa em 1985.
Foi levada em conta a soma da área coberta por rios e lagoas e também os campos alagados e pântanos. Os dois juntos representam a área inundada do Pantanal.
Eduardo Rosa, responsável no MapBiomas pelo monitoramento do Pantanal, explica que analisar essa área de inundação toda, em vez de apenas um dos dois elementos sozinhos, mostra melhor como a superfície de água variou na região.
Por sua vez, a escolha pela média amenizou as oscilações anuais da área de inundação que são naturais do ciclo do Pantanal.
Há anos em que ele enche mais e em outros, menos. Por isso, comparar dois anos isolados não reflete o quanto o Pantanal perdeu de água ao longo desse tempo.
Mas a tendência de queda fica clara na evolução tanto da área de inundação total quanto da média ao longo dos últimos 30 anos.
"A água devolve a vida ao Pantanal. A fauna e a flora se desenvolvem, se renovam, mas o Pantanal alaga cada vez menos", diz Rosa.
Ao mesmo tempo que a área máxima coberta pela água registrada a cada ano está diminuindo, a área mínima também está ficando cada vez menor.
Em alguns dos anos mais recentes no gráfico acima, o nível máximo de inundação chegou a ficar abaixo do mínimo registrado no começo dos anos 1990.
O rio Paraguai atingiu em outubro do ano passado o segundo menor nível em 121 anos de medição na cidade de Ladário, no Mato Grosso do Sul —esse índice tem inclusive nome próprio: régua de Ladário.
As cheias também estão ficando mais curtas, diz Felipe Dias, diretor-executivo do Instituto SOS Pantanal, uma organização sem fins lucrativos dedicada à proteção do bioma.
"No passado, o Pantanal ficava três, quatro, até cinco meses inundado, hoje diminuiu para um, dois meses", afirma Dias.

Saiba mais na Folha de S. Paulo

Novidades

Férias de julho cheias de diversão e aprendizado: confira opções de colônias gratuitas e particulares em Niterói

09/07/2026

As férias de julho trazem uma variedade de colônias na cidade para atender famílias que precisam con...

Mudança climática pode eliminar até 34% das plantas usadas por povos da Amazônia, diz estudo

09/07/2026

A mudança climática pode provocar o desaparecimento local de até 34% das plantas usadas por povos in...

Com espaços fluidos, escola integra a natureza à aprendizagem

09/07/2026

Na era dos sons das notificações e das respostas rápidas ao alcance das mãos, proibir celulares nas ...

Novo estudo indica por que a Antártica congelou milhões de anos antes do Ártico

09/07/2026

A Antártica Oriental abriga o maior manto de gelo da Terra, com água suficiente para elevar o nível ...