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O que é a última área de gelo do Ártico, chave para o futuro da vida na Terra

29/03/2022

Há uma região do Ártico que resiste aos golpes das mudanças climáticas.
Acreditava-se há algum tempo que parte da região ártica estivesse em grande parte protegida contra o aumento das temperaturas globais, mas estudos mais recentes mostram que ela também está ameaçada.
Trata-se da região conhecida como a última área de gelo do Ártico (LIA, na sigla em inglês) —uma faixa de 1 milhão de km² entre a Groenlândia e o Canadá.
Seu nome deriva da camada de gelo mais espessa e antiga do Ártico, que, segundo os modelos de previsão climática, faz com que ela seja a área que permanecerá congelada por mais tempo à medida que o planeta se aquece.
Mesmo no verão do hemisfério norte, quando parte do gelo do Ártico derrete, a LIA permanece congelada.
"Mas isso vai mudar no futuro", segundo afirmou à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, Robert Newton, pesquisador do Observatório da Terra Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia, nos EUA.
"Veremos nos próximos anos que, durante o verão, a camada de gelo da LIA será cada vez menor."
Newton é coautor de um estudo recente sobre o futuro da LIA.
"Se o gelo que permanece congelado durante todo o ano desaparecer, será destruído um ecossistema completo e surgirá algo novo", segundo ele.
A redução da LIA terá consequências devastadoras para as espécies de flora e fauna que habitam a região —e também causará impactos aos seres humanos.
Mas o que é a LIA e por que grande parte do futuro do planeta depende dela?
Os ventos e as correntes marítimas que vão da Sibéria até o Canadá fazem com que camadas de gelo se acumulem na LIA, criando um bloco mais espesso e duradouro.
Um arquipélago pertencente ao Canadá captura esse gelo, impedindo que ele se infiltre em direção ao sul e derreta no Oceano Atlântico, segundo explica o portal Science News.
Historicamente, a espessura da camada de gelo no Ártico tem sido de 2,5 m a 3 m —enquanto, na LIA, a espessura média tem sido de 6 m a 10 m.
Mas, à medida que o planeta se aquece, as temperaturas no Ártico aumentam cerca de 2,5 vezes mais rápido do que no restante da Terra, segundo Newton.
Isso se deve, em parte, ao fato de que o aquecimento cria um círculo vicioso. A superfície branca do gelo reflete a luz solar para o espaço, mantendo a superfície fria. Mas, se esse gelo derreter, o aquecimento se acelera e, por sua vez, derrete mais gelo.
Atualmente, a espessura média no Ártico caiu para menos de 1,5 m e, na LIA, está em cerca de 4 m.
No verão, a camada de gelo é cada vez menor.
Atualmente, ocupa uma área que é menos da metade da que ocupava no início da década de 1980, segundo as pesquisas de Newton.
"A pergunta é em quanto tempo passaremos de um Ártico com gelo para um Ártico sem gelo", resume o especialista.

Veja quais são os cenários possíveis na Folha de S. Paulo

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