
22/03/2022
O Globo Repórter de sexta-feira (18) mostrou como o reaproveitamento dos mais diferentes materiais está gerando renda para brasileiros e ajudando a preservar o planeta.
O repórter Rogério Coutinho entrevistou o repórter especialista em meio ambiente André Trigueiro sobre o assunto.
O futuro do Brasil passa pela destinação inteligente dos resíduos. Nós temos três mil lixões a céu aberto que são bombas-relógio ambientais, que causam doenças, contaminam o solo e as águas, que atraem pessoas que se expõem a acidentes de percurso, e que agravam o efeito estufa.
O que vai para o lixão não merece estar lá. Tem muita coisa que tem valor comercial econômico que vai parar em lixão. A reciclagem melhora um ambiente que está contaminado daquilo que a nossa invigilância e a nossa displicência permitem que exista. O Brasil não pode, em pleno século 21, continuar sendo um país que despreza o valor e a riqueza dos seus resíduos. Isso vale pro lixo sexo; há um mercado em expansão que precisa crescer ainda mais, com raspas e restos daquilo que as pessoas displicentemente jogam fora e não se interessam em separar, que é um hábito simples e banal do dia a dia que faz toda a diferença, e nós temos, principalmente, o lixo orgânico, que é a maior parte dos nossos resíduos, que as pessoas também costumam desprezar dizendo: ‘Isso não serve para nada’. A rigor, a maioria das coisas que a gente chama de lixo não merece ser chamada assim.
E quando a gente fala de reciclagem, a gente está falando de lixo seco: papel, papelão, plástico, metais e vidro – isso não merece ser chamado de lixo – ou o lixo orgânico, que é resto de fruta, legumes, verdura, poda de jardim, aquilo que vem da natureza e apodrece. A gente acha que não tem utilidade e serventia, mas tem. Pode virar adubo orgânico de excelente qualidade, pode ter aproveitamento energético.
Então, eu presumo que a maioria da população tenha a clareza de que é um desperdício colocar tudo isso na lixeira. Mas sem cobertura das prefeituras e de organizações que deem musculatura a uma coleta seletiva robusta, que alcance a maioria da população de uma cidade, fica mais difícil.
Quem tem criança em casa vai adorar a brincadeira da separação. ‘Isso o que eu faço, mamãe?’, ‘Papai, onde eu coloco isso daqui?’ ‘Você coloca na caixa, coloca no saco, coloca na lixeira...’. Então, do ponto de vista da educação, é fundamental, porque a gente não pode ter no Brasil do século 21 novas gerações de analfabetos ambientais. Não pode continuar chamando de lixo o que não é lixo. Então a separação tem uma função pedagógica, construtiva. Aprenda a chamar de lixo aquilo que não tem, rigorosamente, nenhuma utilidade ou serventia, o que não é o caso da reciclagem.
É muito simples para quem tem a iniciativa e a vontade de fazer, e o mais importante: consciência tranquila, porque o mundo não suporta mais aquilo que as pessoas estão descartando como lixo. E a gente não fica com a consciência tranquila quando descarta como lixo o que tem valor econômico.
Reciclar faz bem para a alma, ajuda a gente a ter a consciência tranquila de dizer: ‘Fiz a minha parte’.
Fonte: Globo Repórter
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