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Cedae instala boias holandesas na Lagoa do Guandu para evitar o aparecimento de geosmina na água

10/03/2022

Há dois verões, em 2020 e 2021, o fluminense teve de conviver com a água distribuída pela Cedae com cor barrenta, com cheiro e gosto ruins, por causa da geosmina, um composto orgânico produzido por bactérias. Mas uma nova tecnologia promete tentar evitar o problema.
A Lagoa do Guandu, que fica a quatro quilômetros da estação de tratamento de água do Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, é o grande problema. Ela recebe água dos rios Guandu, Poços, Queimados e Ipiranga, que cortam a Baixada e carregam todo tipo de material: lixo, esgoto e até resíduos industriais.
Por natureza, a água na lagoa fica parada. Quando isso se soma ao calor do verão, as condições da água ficam perfeitas para que substâncias como a geosmina apareçam.
Da lagoa, a água chega ao ponto de captação da Estação do Guandu. Mas agora, com oito boias holandesas instaladas na lagoa, a companhia acredita que os equipamentos poderão ajudar a conter as bactérias e a geosmina. As boias importadas custaram R$ 4,5 milhões à Cedae.
A principal parte da boia fica em contato com a água. Um aparelho de ultrassom, um sonar, que impede que as algas que ficam no fundo da lagoa venham à superfície e assim elas não se reproduzem. Ou seja, a promessa da Cedae é de um verão sem algas e sem geosmina na água.
As boias têm um sensor que monitora a qualidade da água da lagoa. Os dados são transmitidos para técnicos da companhia a cada 15 minutos, como explica Daniel Okumura, diretor de saneamento e de grande operação da Cedae.
"Ela detecta cinco parâmetros que são os principais, para conseguir detectar se está tendo crescimento ou não das algas. Dessa forma, elas se comunicam entre si e emitem ondas sonoras, que é um ultrassom, criando uma barreira física para que as algas não consigam vir à superfície e receber a luz solar para assim elas se proliferarem. É simplesmente físico. Não utiliza produto químico e nem nenhum tipo de produto que você lance na água", disse Okumura.
Sem contato com a luz, as algas morrem. Cada boia cobre um raio de 250 metros de lâmina d´água.
Outro trabalho que é feito na região é o bombeamento de água do Rio Guandu. Máquinas lançam três mil litros de água por segundo - o equivalente a três caixas d´água pequenas - direto na parte de trás da lagoa.
"A ideia de bombear água do Rio Guandu para dentro da lagoa é reduzir a temperatura das águas da lagoa e também diminuir o tempo de detenção. Ou seja, o tempo em que a água fica parada", disse Okumura.
Para aliviar a carga de esgoto chega até a Estação do Guandu, a Cedae e a Secretaria Estadual do Ambiente também dizem que vão instalar, até o fim de março, unidades de tratamento nos rios Ipiranga e Queimados.
Mas especialistas, como o professor de hidrologia da Coppe/UFRJ, Paulo Canedo, questionam a iniciativa. E lembram que a responsabilidade por esse tipo de serviço de saneamento é da concessionária Águas do Rio, que atua na região.
"São duas coisas negativas. Primeiro, são caríssimas, vão custar na ordem de R$ 100 milhões. Segundo, elas necessitam de operação e manutenção delicadas. Quem nos garante, ou nos dá um certo conforto, de que comprada a instalação por R$ 100 milhões tenhamos esses equipamentos funcionando daqui a um ano?", questionou Canedo.

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