
10/03/2022
Na percepção de 96% dos brasileiros, o aquecimento global está acontecendo. Para 81%, a questão é "muito importante" e 61% se dizem "muito preocupados". No entanto, apenas 21% consideram conhecer o bastante sobre o assunto.
Realizada pelo segundo ano consecutivo, a pesquisa de opinião encomendada pelo ITS (Instituto Tecnologia e Sociedade) e conduzida pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) ouviu 2.600 pessoas de todas as regiões do país. As entrevistas foram feitas por telefone entre setembro e novembro do ano passado. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
À pergunta "o quanto você acha que o aquecimento global pode prejudicar você e sua família?", 75% dos brasileiros responderam que o fenômeno pode lhes prejudicar muito (contra 72% em 2020); 13% disseram que o grau de prejuízo pode ser "mais ou menos", 8% responderam "um pouco" e, para 3%, a resposta foi "nada" (que teve 5% das respostas em 2020).
O nível de preocupação é bem distribuído entre as cinco regiões do país, sendo mais alto no Centro-Oeste, onde 79% responderam que o aquecimento global pode lhes prejudicar muito. A resposta foi dada por 70% dos entrevistados no Sul —o número mais baixo entre as regiões.
Entre a população preta, a percepção de que o aquecimento global pode lhes prejudicar muito é mais alta: teve 82% das respostas, contra 78% entre pardos, 71% na população branca e 74% entre os que se identificam com outras raças. O alerta também é maior entre as mulheres: 80% delas responderam que podem se prejudicar muito, contra 70% dos homens.
A resposta também teve mais aderência entre a esquerda (81%) e o centro (78%). Entre os entrevistados que se identificam com a direita no espectro político, a percepção de que podem se prejudicar muito cai para 69% dos entrevistados e fica em 77% entre os que não sabem ou não responderam sobre a posição política.
Na avaliação de Fabro Steibel, direitor-executivo do ITS, a preocupação com o tema ambiental está bem distribuída pelo espectro político, ainda que ela seja levemente mais baixa entre os que se declaram como "mais à direita".
Entre os que se consideram "mais à esquerda", 88% se dizem muito preocupados com o aquecimento global (eram 83% em 2020), o número se repete entre os de centro (eram 85% em 2020).
Nos entrevistados que se declaram "mais à direita", o número é relativamente mais baixo, mas ainda assim majoritário: 75% se dizem "muito preocupados"; em 2020, eles eram 72%.
Entre os que não souberam ou não responderam sobre sua posição no espectro político, 78% se dizem muito preocupados com o clima. O número era de 76% em 2020.
Segundo a diretora de inteligência do Ipec, Rosi Rosendo, a pesquisa indica que a alta preocupação dos brasileiros com o clima atualmente está mais conectada com a vivência de impactos ambientais negativos do que com a discussão geral apresentada pelo noticiário.
"Como exemplo, podemos verificar as respostas dos entrevistados em regiões onde aconteceram queimadas", cita Rosendo.
Nos estados que compreendem a Amazônia Legal, 98% dos entrevistados já ouviram falar sobre queimadas. No restante do país, o número cai para 87%.
Questionados sobre os três maiores responsáveis pelas queimadas na Amazônia, os brasileiros apontaram os madeireiros (76%), agricultores (50%) e pecuaristas (49%). Em seguida, os garimpeiros (43%) e o governo (38%). Indígenas e ONGs também foram apontados respectivamente por 8% e 6% dos entrevistados.
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