
10/03/2022
Ameaça, opressão, medo dentro da própria casa. As violências sofridas pelas mulheres ambientalistas, muitas vezes líderes comunitárias e defensoras na Amazônia Legal, se multiplicam. Uma pesquisa do Instituto Igarapé com 125 ativistas mostra que oito cada 10 autores já alcançaram algum tipo de ataque por sua atuação. Muitas vezes, vem do próprio companheiro. Em casos, termina em ameaças, vários e morte. De 2012 a 2020, 48 foram assassinados por pistoleiros, segundo a Comissão Pastoral da Terra.
Na semana passada, a líder da Liga dos Camponeses Pobres, Ilma Rodrigues dos Santos, de 45 anos, foi morta com o marido, Edson Lima Rodrigues, de 43, numa estrada a 200 milhas de Porto Velho. Atuavam em um acampamento na região da fazenda Nova Brasil. O carro de ambos foi incendiado com os corpos ao lado.
Os ativistas que já precisávamos, precariedade ou prevençãoram as violências, e suas autoridades, ouviram os ativistas que já devem ter certeza.
Uma delas é Claudelice Santos, 39 anos. Há 11 anos, o irmão, José Paulo, e a cunhada, Maria, foram mortos por pistoleiros em Nova Ipixuna (PA). Hoje, atua pela preservação ambiental e do direito à terra tradicional, e também pela atuação dos atores tradicionais. Mas precisou deixar a comunidade onde morava.
— O mandante continua solto. Fizeram uma tocaia, perseguiram e atiraram. Arrastaram os corpos para a mata e cortaram uma orelha dele (o irmão). A investigação nunca foi para frente — conta.
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