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Fernando de Noronha: invasor, peixe-leão vira alvo de buscas por cientistas, mergulhadores e até turistas

08/03/2022

Além dos milhares de turistas que se dirigem anualmente à ilha, parece que tem alguém que encontrou também em Fernando de Noronha (PE) um paraíso: o peixe-leão. Mas diferente dos visitantes que movimentam o turismo ali, este animal não é bem-vindo.
O peixe, originário do Indo-Pacífico, se espalhou nas últimas três décadas pela costa leste dos Estados Unidos, chegando ao Caribe e, em dezembro de 2020, foi registrado pela primeira vez em Noronha — depois de outros avistamentos pontuais no Brasil. Segundo já escreveram dois cientistas da Universidade Estadual de Oregon (EUA), a presença deste peixe em locais do qual não é nativo tem potencial de ser uma das invasões marinhas mais prejudiciais ecologicamente já observadas.
Tamanha ameaça tem mobilizado Fernando de Noronha, onde operações de buscas pelo peixe-leão têm acontecido quinzenalmente, em uma parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) com empresas de mergulho locais. No último dia 23, nenhum animal foi encontrado; no início de fevereiro, no dia 8, quatro peixes-leão foram achados.
Segundo Ricardo Araújo, coordenador de pesquisa, monitoramento e manejo do ICMBio Noronha, estas buscas têm sido como uma "corrida de gato e rato".
"O mar não tem barreira, então o bicho pode ir para qualquer lugar que ele quiser, e nós somos poucos", explica Araújo, que tem coordenado as operações com empresas de mergulho locais.
"O melhor seria que ele não tivesse aparecido, mas agora que chegou, é praticamente impossível que não se estabeleça. Noronha é um local equilibrado, com uma fauna marinha muito grande, a água é quente", diz o pesquisador, apontando que o peixe-leão não tem predadores no arquipélago (cuja ilha principal é homônima, Fernando de Noronha) e, por outro lado, tem alimentos em plenitude, principalmente peixes pequenos.
"Ou seja, ele tem todas as condições favoráveis para se desenvolver aqui. Temos encontrado animais super sadios. Ele já se estabeleceu e deve estar se reproduzindo."
Depois do primeiro avistamento de um peixe-leão, no final de 2020, não houve mais avistamentos registrados no primeiro semestre de 2021. E então, a partir de julho de 2021, todo mês houve avistamentos. Até 24 de fevereiro deste ano, foram registrados no total 62 peixes avistados e 38 coletados.
Os peixes encontrados são capturados, mortos e congelados até serem encaminhados para estudo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Universidade Federal Fluminense (UFF) —parte deles segue para os Estados Unidos, onde estão sendo feitas análises genéticas com o objetivo de esclarecer a origem dos animais. Os resultados destas análises ainda não estão disponíveis, mas elas ajudarão, entre outras coisas, a responder precisamente qual espécie está vivendo em Noronha, já que são duas que costumam invadir habitats e são chamadas de peixe-leão: Pterois miles e Pterois volitans.
A cada peixe capturado, são registradas informações sobre local em que foi encontrado e seu comprimento, que tem aumentado com o passar dos meses —passando dos 18 cm em novembro de 2021. Também há previsão de análise do que está no estômago dos animais, para que se possa entender exatamente quais espécies ele está predando.
Embora haja sinais de que o peixe-leão está gostando bastante de Fernando de Noronha, o arquipélago tem uma característica que tem favorecido aqueles que estão participando das buscas pelo animal.
Por ser um dos principais destinos turísticos no Brasil, inclusive no segmento do mergulho, Noronha tem "sempre olhos" debaixo d´água —os dos mergulhadores— capazes de eventualmente encontrar um peixe-leão, explica Ricardo Araújo.
"O que tem funcionado muito é essa relação com as empresas de mergulho, basicamente é com eles que a gente tem feito o manejo", diz o pesquisador do ICMBio.

Saiba mais lendo a matéria por completo na Folha de S. Paulo

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