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Rios de Petrópolis foram ´estrangulados´, perderam ilhas fluviais e até 56% da sua cobertura vegetal, aponta estudo

24/02/2022

Os três principais rios que cortam a cidade de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, foram "estrangulados": perderam suas ilhas fluviais, ficaram menos sinuosos e estão com até 56% de sua vegetação original suprimida. Os dados são de um estudo de 2019 feito por pesquisadores da UFRJ sobre os rios Quitandinha, Palatino e Piabanha.
Somente no Quitandinha, cujas águas subiram sete metros na última terça-feira (15), chegando a arrastar dois ônibus para o seu leito, a estimativa é que a largura máxima da margem perdeu cerca de 20 metros desde o século XIX.
“Hoje o rio tem extensões que não passam de 5 metros de largura, ou seja, toda essa malha fluvial foi descaracterizada, o rio foi estrangulado, por isso ele tem menos local pra acomodar água”, explica o autor do estudo, Manoel do Couto Fernandes, doutor em geografia e pesquisador do GeoCart (Laboratório de Cartografia/UFRJ).
Essas mudanças, contudo, são apenas um dos fatores que explicam a tragédia do último dia 15, um problema com raízes ambientais e sociais históricas. Especialistas ouvidos pelo g1 ressaltam que, com as mudanças climáticas, eventos extremos como o de Petrópolis serão cada vez mais recorrentes, mas que a "ciência continua produzindo informações fundamentais para que o poder público aja" desde já.
Segundo o estudo, ao longo do último século, diversos trechos dos rios foram encurtados e suprimidos para a construção de edificações e passagem de ruas.
Os pesquisadores conseguiram chegar a essa conclusão porque Petrópolis é um município que teve um planejamento urbano estabelecido por decreto imperial, dessa forma, documentos cartográficos históricos puderam ser analisados e comparados com registros mais recentes.
Ao centro dos dois trechos, é possível ver que duas ilhas fluviais foram suprimidas; as áreas em vermelho e laranja ficaram bem mais curtas.
O primeiro trecho margeia a rua Washington Luiz e fica a 500 metros de onde os dois coletivos foram arrastados. Em 1846, o Quitandinha chegava a ter mais de 25 metros de largura nesse ponto. Na comparação com a mensuração de 1999 (data da base cartográfica mais recente analisada pelos pesquisadores), não chega a 8 metros.
Já para o segundo trecho, próximo a rua Col. Veiga, o destaque é o tamanho da supressão da largura. No século XIX, com sua ilha fluvial, o Quitandinha tinha mais 33 metros nesse local. Hoje, conta com menos de 5 metros. Uma diminuição de 28 metros.

Veja gráficos comparativos acessando o g1

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