
24/02/2022
A camada de gelo da Antártida encolheu para a menor área de superfície já registrada, em outro sinal de que o ritmo acelerado das mudanças climáticas está atingindo algumas das regiões mais frias, mostraram dados preliminares de satélite do National Sea Ice Data Center, no Colorado (EUA), nesta semana.
O gelo ao redor do continente recuou para 1,97 milhão de quilômetros quadrados, abaixo do recorde negativo anterior de 2,1 milhões de quilômetros quadrados, estabelecido em 2017.
“É aterrorizante testemunhar este oceano congelado derretendo”, disse Laura Meller, conselheira polar da organização sem fins lucrativos Greenpeace, em entrevista para a agência Bloomberg. “As consequências dessas mudanças se estendem às cadeias alimentares marinhas em todo o mundo.”
As descobertas se somam aos sinais de que o aquecimento do planeta está se tornando mais extremo. Os pólos estão sofrendo especialmente, com o gelo marinho do Ártico se contraindo em média 13% a cada década desde 1979.
A América do Sul teve em 2022 seu segundo janeiro mais quente já registrado, segundo a NOAA, agência americana para o ambiente e o clima.
No Polo Sul, os dados mais recentes mostram algumas partes da região aquecendo mais rápido do que em qualquer outro lugar do mundo, afirma o Greenpeace.
Os efeitos indiretos incluem aumento do nível do mar, interrupção dos padrões de migração da vida selvagem e aquecimento ainda mais rápido.
Em um estudo separado publicado na terça-feira (22), pesquisadores liderados por Raul Cordero, da Universidade de Santiago, Chile, descobriram que o derretimento do gelo na Antártida também pode ser atribuído ao chamado “carbono negro”, que é produzido por navios, aviões e geradores a diesel, usados para turismo e atividades de pesquisa na região. Isso resultaria em até 23 milímetros de neve adicional derretida a cada verão em algumas áreas.
Fonte: Um Só Planeta
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