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Dubai, a cidade no deserto que luta para não ser engolida pela areia

15/02/2022

O deserto nunca esteve longe dos portões de Dubai. A capital do emirado de mesmo nome, agora convertida em um moderno centro financeiro que, com seus 3 milhões de habitantes, é a cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos, é cercada pelo mar de um lado, e por um tapete de areia aparentemente interminável do outro.
Sua história de sucesso é improvável, a de uma pacata vila de pescadores que em 50 anos se transformou em uma resplandecente metrópole urbana.
Mas, apesar de sua opulência, a cidade enfrenta um grande desafio: desertos invasores que ameaçam as terras férteis remanescentes do emirado.
Os Emirados Árabes Unidos têm aproximadamente o mesmo tamanho de Portugal, mas cerca de 80% de sua área terrestre já é desértica.
Seu ecossistema é frágil e, em parte devido à desertificação, grande parte de suas terras mais valiosas está sob crescente pressão.
De acordo com um relatório do governo publicado em 2019, "com o aumento das populações e dos sistemas de consumo de alimentos, a degradação da terra e a desertificação estão se tornando desenfreadas".
Encontrar soluções eficazes tornou-se uma prioridade para o país. O objetivo não é conquistar o deserto, mas restaurar áreas de terra que não são mais produtivas.
Os Emirados Árabes Unidos estão em uma posição única quando comparados a outros países afetados pela desertificação, pois têm a capacidade de financiar ideias inovadoras.
Na verdade, está investindo em startups verdes e apoiando instituições educacionais tecnologicamente inovadoras e com inclinação ecológica.
A própria existência de Dubai exemplifica o que pode ser alcançado quando a ambição e o foco são apoiados financeiramente. A mentalidade que ajudou a construir uma cidade na areia agora está sendo aproveitada para lutar contra a invasão do deserto.
Se forem bem-sucedidas, as soluções desenvolvidas poderão ter um enorme impacto globalmente.
A desertificação é um tipo de degradação da terra em que o solo fértil e arável de regiões áridas ou semiáridas torna-se improdutivo.
Em geral, ocorre quando há superexploração de recursos naturais, como água e solo, o que faz com que a vegetação não cresça nessas terras.
Pode ocorrer naturalmente, mas é um fenômeno que está cada vez mais ligado, tanto nos Emirados Árabes Unidos quanto no restante do mundo, à atividade humana; especificamente, ao pastoreio excessivo, à agricultura intensiva e ao desenvolvimento de infraestrutura.
"A desertificação ocorre quando a terra e a vegetação, geralmente nas bordas dos desertos, estão sobrecarregadas", diz William H. Schlesinger, biogeoquímico e presidente emérito do Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas, em Nova York, que pesquisa desertos há mais de 30 anos.
"O resultado é uma menor produtividade da vegetação e, muitas vezes, uma transição para tipos de vegetação que são menos úteis para as atividades humanas."
Aproximadamente 12 milhões de hectares são perdidos em todo o mundo a cada ano como resultado direto da seca e da desertificação, o equivalente a 1.300 campos de futebol por hora.
Para contextualizar, se fossem terras contínuas, você teria que dirigir a 210 km/h apenas para acompanhar o ritmo da desertificação
Nos últimos 20 anos, houve uma grave perda de terras valiosas na região. De acordo com o Banco Mundial, os Emirados Árabes Unidos tinham 75.000 hectares de terra arável em 2002, mas em 2018, a área agricultável havia diminuído para 42.300 hectares.
Os dados do órgão multilateral também indicam que, no mesmo período, o percentual de terras agrícolas nos Emirados Árabes Unidos caiu de 7,97% para 5,38%.
Durante as décadas de 1970 e 1980, o uso de suas vastas reservas de petróleo trouxe aos Emirados Árabes Unidos um período de incrível crescimento e prosperidade financeira, mas isso aconteceu em grande medida sem muita preocupação com o meio ambiente.
Em 2008, a organização ambientalista WWF classificou o emirado como o país com a pior pegada ecológica per capita.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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