
03/02/2022
Moradores do Morro da Chacrinha, na Praça Seca, na Zona Oeste do Rio, denunciam que milicianos instalaram uma antena de sinal de internet na favela. Os criminosos estão impondo aos moradores o serviço na região. Nenhuma outra empresa entra na comunidade.
Para instalar o serviço ilegal, os criminosos desmataram uma grande parte de uma área que tinha sido reflorestada pela prefeitura há oito anos. Trata-se de uma estrutura grande, que dá para ser vista por todos os lados da favela, mesmo de longe.
"Já tem três meses que desmataram uma área de meio ambiente. Fizemos várias denúncias, mas nada, até o momento, foi feito. Fizeram uma obra grande na área de mata, colocaram até torre. Estamos com medo do que pode acontecer", disse um morador.
Outro morador diz que os milicianos derrubaram várias árvores.
"Devastou tudo, devastou toda a região. Derrubaram árvores, forçaram um caminho, e estão levantando uma torre ali de transmissão de sinais piratas", contou um morador.
O engenheiro elétrico Antônio Carlos Siqueira, da Coppe-UFRJ, diz que a antena é clandestina.
"Não há demarcação da área, identificação de quem vai fazer a construção, o custo associado, coisas que costumam ser comuns quando você instala essas torres para transmissão de sinal. Houve só uma espécie de cercadinho onde foi construída a torre para proteção", explicou o engenheiro.
Na favela não é possível escolher qual serviço ter dentro de casa. Os criminosos impõem o uso de vários deles, como internet e água, como explica um morador.
"Somos prisioneiros deles. Aqui todo serviço tem que colocar o deles. Se a gente não colocar o serviço deles, não pode entrar outra empresa aqui. Aqui, a gente não tem direito a ter uma internet de qualidade, um serviço de TV de qualidade. Aqui a gente paga gás caro, temos que pagar água na mão deles", contou um morador.
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