
22/10/2019
Ele não tem boca, estômago ou cérebro, mas se alimenta, se locomove e tem capacidade mnemônica. Trata-se do Blob, um curioso organismo unicelular que pela primeira vez será apresentado ao público no zoológico de Paris, anunciou na quinta (17) a instituição.
Os novos astros do zoológico localizado no Bosque de Vincennes, que fascinam por terem 720 aparelhos sexuais e serem quase imortais, foram instalados no vivário, onde o público poderá vê-los a partir do último sábado (19).
"Nossa missão também é mostrar os mistérios da natureza", disse Bruno David, presidente do Museu Nacional de História Natural de Paris e do Parque Zoológico.
Instalado ao abrigo da luz, o Physarum polycephalum é uma massa esponjosa, amarela e viscosa, também conhecida como Blob, em alusão ao filme de 1958 com Steve McQueen, sobre uma criatura pegajosa extraterrestre que devora tudo em seu caminho.
Não é animal, planta, nem mesmo fungo, mas um organismo primitivo, que apareceu há 500 milhões de anos, antes do reino animal.
"Não sabemos muito bem onde colocá-lo no repertório do reino de seres vivos", explicou Bruno David.
Durante um tempo foi considerado um fungo, antes de unir-se nos anos 1990 aos mixomicetos, um grupo de protistas.
Como é unicelular, ao iniciar seu ciclo é microscópico e, portanto, difícil de detectar em seu ambiente, à sombra em florestas temperadas ou em locais subterrâneos.
Mas tem vários núcleos, que podem se multiplicar ou dividir à vontade.
"Blobs de todos os tamanhos podem ser criados, nenhum limite é conhecido", explicou à AFP a etóloga Audrey Dussutour, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e especialista neste protista.
Esse organismo pode atingir até 10 metros em laboratório, onde pode ser subdividido por corte, uma vez que os fragmentos cicatrizam.
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