
17/10/2019
O monitoramento de imagens de satélite da costa brasileira para investigar a origem das manchas de óleo no Nordeste não mostra indícios da substância na superfície marinha. O resultado da análise reforça a teoria de que o óleo, que já contamina 166 localidades, não veio boiando pelo oceano até atingir as praias, mas que estava submerso, o que dificulta a localização da origem do vazamento.
A informação foi obtida pelo G1 em entrevistas com servidores do setor de emergências ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em nota, o instituto confirmou apenas que "monitora as áreas atingidas utilizando imagens de satélite disponíveis e com sobrevoos" e que "não foram detectadas manchas de óleo visíveis."
Um servidor da Coordenação-Geral de Emergências Ambientais do Ibama que não quis se identificar garantiu que, segundo a análise, é possível concluir que a mancha de óleo não chegou à costa brasileira pela superfície do Oceano Atlântico.
O monitoramento do Ibama, que está sendo atualizado diariamente, analisa imagens de satélites brasileiros e também de equipamentos da Nasa e da Agência Especial Europeia (ESA, na sigla em inglês) feitas desde o dia 1º de agosto. O Ibama não divulgou ainda o resultado completo dessa análise.
Segundo servidores ouvidos pela reportagem, o número de imagens aéreas do oceano é escasso, o que dificulta o trabalho. Em alguns dos dias analisados, nenhuma imagem foi capturada no trecho do sul da Bahia até a Venezuela pelos satélites analisados. Na maioria dos dias apenas uma imagem foi obtida.
No geral, os satélites são mais eficazes em trechos mais próximos da costa. Por isso, o servidor avalia que a origem do óleo está fora do mar territorial brasileiro.
"A partir de certa distância da costa não existe passagem de satélite. Em alguns conseguimos ver um raio de até 800 km da costa, mas são só duas imagens por mês, que podem sofrer interferência por nuvens. No satélite que é o melhor para ver manchas de óleo e que não sofre interferência de nuvem, com imagens a cada seis dias, o foco é no máximo 300 km da linha de costa", explica.
Em entrevista na segunda-feira (14), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, reforçou a hipótese de que o óleo não pode ser visto por imagens aéreas.
“Não há grandes manchas sendo visualizadas nem pelo sistema de satélites, estrangeiros inclusive, e os voos com avião-radar do Ibama, aviões e helicópteros também da Aeronáutica", disse.
Esta reportagem pode ser lida no G1
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