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O resgate de Ramba, a elefanta que penou quatro décadas em circos e cativeiros

17/10/2019

O aeroporto de Viracopos, em Campinas, receberá uma visita ilustre nesta semana. Ramba, 56 anos, elefanta que pesa cerca de 6 toneladas, vai ser transportada de avião, do Chile para o Brasil, e será o maior mamífero terrestre a chegar Viracopos em um contêiner adaptado para o transporte.
A equipe do Santuário de Elefantes do Brasil (SEB), organização que se dedica a resgatar esses animais de situações de cativeiro ou de circo, onde são submetidos às piores torturas para servirem de entretenimento aos humanos, já está a postos para trazer Ramba de volta.
A elefanta está, atualmente, no Parque Safári Rancágua, para onde foi levada em 2012 pela ONG Ecópolis, que descobriu Ramba num circo. A saga de Ramba começou quando ela foi vendida para a Argentina, nos anos 80.
Durante quarenta anos, foi passando de um para outro circo, sempre sendo submetida a toda espécie de privações, forçada a obedecer e a participar de “espetáculos” (as aspas são necessárias porque não vejo nada espetacular em submeter animais).
Aqui, vale lembrar o que acontece a todos os bichos que vão para o picadeiro. A primeira coisa que perdem é a liberdade, claro. No caso dos elefantes, isto é crucial para seu desenvolvimento, pois estes bichos são andarilhos e vivem em bando. Nos circos, Ramba vivia amarrada com correntes e tinha o toque característico dos elefantes confinados, que é balançar o corpo para um lado e para o outro, mesmo parada.
Segundo informações que consegui junto à equipe do SEB que está atuando para trazer Ramba ao Brasil, a elefanta “tem inúmeras cicatrizes e antigos abscessos em seu corpo, feitos por correntes e bullhooks (ferramenta de madeira ou metal com gancho de aço na ponta, usada para ferir os elefantes a fim de que se submetam ao treinador), mas sua condição corporal melhorou desde sua realocação em 2012”.
De circo em circo, Ramba foi parar no Chile quando, em 1997, foi confiscada do “Los Tachuelas” pelo SAG (Serviço Agrícola e Pecuário do Chile), por questões relativas a abuso e negligência. Embora oficialmente “confiscada”, Ramba permaneceu com o circo, mas desta vez sem atuar.
Somente em 2012 que a história da elefanta começou a mudar, com o engajamento da ONG chilena Ecópolis, que fez uma campanha para resgatar o animal. Sua remoção até o Parque Safári Rancágua aconteceu após uma ordem judicial. E lá, até hoje, ela permanece em um pequeno celeiro.

Saiba mais no G1

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