
03/10/2019
Um satélite começou a ser utilizado para analisar a origem das manchas de petróleo que atingem praias de oito dos nove estados da região Nordeste, desde setembro. Segundo o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, os responsáveis pelo problema podem pagar uma multa que vai de R$ 5 milhões a R$ 50 milhões pelo crime ambiental, que é considerado gravíssimo.
Nesta terça-feira (1º), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) informou que aumentou para 114 o número de localidades afetadas (veja vídeo abaixo). Uma reunião foi realizada no Recife, durante a tarde, e contou com representantes de seis dos nove estados nordestinos, para discutir estratégias para diminuir os impactos. A Bahia foi o único estado da região que não foi afetado.
Na reunião, os estados decidiram protocolar, em conjunto, uma denúncia sobre o caso, a ser enviada à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.
"Desde o primeiro caso, acionamos as universidades Federal (UFPE) e Rural de Pernambuco (UFRPE) para fazermos monitoramentos com imagens retroativas de satélite, para identificarmos a mancha inicial, que indique o início do vazamento. Também estamos analisando a dinâmica das correntes marítimas para encontrar o responsável", afirma Bertotti.
Segundo José Bertotti, esse caso é "um dos maiores crimes ambientais já registrados na costa nordestina", por causa da extensão atingida e do tempo decorrido desde os primeiros casos registrados, que ocorreram no dia 2 de setembro, em Olinda e Ipojuca, no Grande Recife. O governo do estado se preocupa com a repercussão no turismo.
Uma investigação inicial aponta que o material que está poluindo as praias tem a mesma origem, mas ainda não é possível afirmar de onde ele viria. A Petrobras confirmou que se trata de petróleo cru, que não é produzido no Brasil.
Participaram da reunião desta terça representantes dos estados de Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba, além da Marinha, Capitania dos Portos, Ibama, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Segundo o professor Marcos Silva, do departamento de Oceanografia da UFPE, imagens registradas por um satélite devem ajudar na identificação dos responsáveis pelo problema.
"A partir de mapas e imagens retroativas, estamos levantando o padrão de circulação das correntes oceânicas e do vento, para cruzar com informações coletadas entre 25 de agosto e 30 de setembro. Com o cruzamento das informações coletadas e simulações, poderemos encontrar o ponto inicial do derramamento", explica o professor.
Segundo o secretário José Bertotti, a principal suspeita é que o derramamento tenha sido feito por um navio em alto mar. Entretanto, segundo ele, ainda não se sabe se a substância vazou ou se foi deliberadamente jogada na água.
"Pode ter sido uma lavagem de lastro de navio, mas teria que ter sido jogado muito petróleo para atingir a situação a que chegou. De todo modo, é um crime, porque, mesmo se não foi intencional, não houve a notificação das autoridades", diz Bertotti.
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