
03/10/2019
"Este é o futuro da aviação", diz Oskar Meijerink em um café no aeroporto de Roterdã.
A empresa dele, em parceria com os proprietários do aeroporto, está planejando a primeira produção comercial de combustível para aviação feita, em parte, a partir de dióxido de carbono (CO2).
Com base no aeroporto, esse projeto funcionará capturando CO2 do ar, o principal gás que contribui para o aquecimento global.
Em um processo separado, a eletrólise separa a água em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio é misturado com o CO2 capturado para formar gás de síntese (syngas), que pode ser transformado em combustível de aviação.
O projeto piloto, que tem como objetivo produzir 1 mil litros de combustível de aviação por dia, receberá energia de painéis solares.
Os parceiros do projeto esperam produzir o primeiro lote de combustível em 2021.
Eles argumentam que o combustível de aviação produzido por eles terá um impacto de CO2 muito menor que o combustível comum.
"A beleza da captura direta de ar é que o CO2 é reutilizado de novo, e de novo, e de novo", diz Louise Charles, da Climeworks, empresa que fornece a tecnologia de captura direta de ar.
Meijerink admite que esse processo de produção do combustível ainda está longe de ser competitivo comercialmente.
"O principal elemento é o custo", diz Meijerink, da empresa de combustível de aviação SkyNRG.
"O combustível fóssil é relativamente barato. Capturar CO2 do ar ainda é uma tecnologia incipiente e cara."
Outras empresas estão trabalhando em sistemas semelhantes de captura direta, incluindo a Carbon Engineering, do Canadá, e a Global Thermostat, dos Estados Unidos.
No entanto, os ativistas ambientais são altamente céticos.
"Com certeza soa incrível. Parece uma solução para todos os nossos problemas. Mas não é", disse Jorien de Lege, do Friends of the Earth.
"Se você pensar bem, este projeto pode produzir mil litros por dia com base em energia renovável. São cerca de cinco minutos de voo em um Boeing 747."
Enquanto as empresas estão testando ferramentas de alta tecnologia para capturar CO2 do ar, já existe uma maneira muito simples e eficiente de fazer isso: o cultivo de plantas.
E muitas aeronaves já estão voando com combustíveis renováveis feitos a partir de biomassa vegetal.
Cana de açúcar, grama ou óleo de palma e até resíduos de animais — de fato, qualquer coisa que contenha carbono — podem ser processados e usados.
Mas será que esses combustíveis alternativos substituirão totalmente o tradicional combustível fóssil de aviação?
"Sim, mas é muito difícil estabelecer um prazo", diz Joris Melkert, professor de engenharia aeroespacial da Delft University of Technology.
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