
01/10/2019
Em fevereiro, um temporal daqueles desabou sobre o Rio de Janeiro. O jardim do Instituto Moreira Salles (IMS), na Gávea, ficou devastado: árvores centenárias foram arrancadas, como o jambeiro que ficava em frente à porta principal da casa. Destino melhor também não teve o pau-ferro plantado nos anos 1950, assim como um jatobá, um ingazeiro, uma palmeira-leque, dois abacateiros e uma capororoca, entre outras espécies, que também tombaram. Prestes a completar 20 anos desde quando abriu suas portas ao público como instituição cultural, o IMS resolveu arrumar a casa para festejar as duas décadas, com toda a pompa a que tem direito. Na terça-feira, data do aniversário, o jardim criado por Burle Marx será reinaugurado, graças a um projeto do escritório de paisagismo que carrega seu nome, com uma nova iluminação para destacar, de forma discreta e elegante, a sua exuberância.
A fachada, composta por pé-direito alto e dois pilares em mármore carrara, ganhou ainda mais destaque após a remodelação. Uma grande escultura com placas de metal oxidado de Amílcar de Castro se destaca no gramado. Coordenadora do IMS carioca, Elizabeth Pessoa chama a atenção para os vários tons de verde que agora se contrapõem:
— O projeto homenageia as árvores que ficaram e encoraja as que estão crescendo. Com o replantio, o jardim refeito acabou se aproximando mais do projeto original concebido por Burle Marx. No dia da sua reinauguração, vamos distribuir mudas de dracenas e espadinhas aos visitantes.
Também nesta terça-feira será aberta uma pequena mostra institucional na famosa Sala de Azulejos, que reunirá cerca de 30 fotografias da casa, tiradas desde os anos 1950 até os dias de hoje. Os registros são de nomes como os de Marcel Gautherot, Carlos Moskovics, Roberto Polidori e Cristiano Mascaro.
Outro grande destaque do mês comemorativo será um show de Lenine, no dia 6, às 18h. O músico homenageará Jackson do Pandeiro. A má notícia é que os ingressos, a R$ 20, estão esgotados.
Valorizar, difundir e proteger a cultura brasileira fazem parte da rotina do Instituto Moreira Salles. Desde o dia 1º de outubro de 1999, o centro cultural já recebeu mais de 1,8 milhão de vistantes e sediou mais de 144 exposições. Além disso, a instituição é guardiã de valiosos acervos, como o de Pixinguinha, e das bibliotecas de Carlos Drummond de Andrade e Otto Lara Resende. A reserva técnica é formada ainda por mais de dois milhões de fotos (de Marc Ferrez, Marcel Gautherot e José Medeiros, entre outros), cerca de 20 mil discos de 78 rotações e seis mil de 33 rotações e mais de dez mil desenhos e gravuras, além de 150 mil itens de biblioteca e arquivos pessoais, abrangendo fotografia, música, literatura e iconografia.
Saiba mais em O Globo
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