
01/10/2019
Na região da barragem, voluntários estão se mobilizando para recuperar a natureza.
É compromisso de amizade: preparar, decolar, compartilhar a vista num dos cenários mais bonitos de Minas. Os voos não são apenas programa de lazer ou diversão. Os pilotos de paraglider voam alto e longe para semear um pouco de esperança sobre o Vale do Rio Paraopeba: uma chuva de sementes de ipê roxo, árvore nativa da região. Elas caem no solo à espera da próxima temporada de chuvas.
“Essa área, apesar de pequena para o tamanho do município, foi devastada. Então essas ações são necessárias para reflorestar”, disse o piloto Carlos Gomes.
A notícia desses voos espalhando sementes correu a vila. Bastou passar uma vez na janela e a imaginação de quem mora no vilarejo levantou voo junto.
A cena chamou a atenção de um grupo de bordadeiras. Com linha, agulha e tecido, elas estão registrando histórias, tradições, tudo que lembra viver em Brumadinho. Além dos paragliders, a sempre-viva, planta símbolo das montanhas da região, vai nascendo de pontinho em pontinho.
“Tem aqui uma mina de preciosidades, assim como Minas tem muito dessas pedras preciosas”, afirmou Renato Imbrosi, designer de artesanato.
“Sou nascida e criada aqui, a gente viu depois da tragédia toda, mas a gente não desanimou não. Vamos continuar firme”, disse a bordadeira.
A meta é fazer os bordados de Brumadinho ganharem os maiores mercados consumidores do país.
“E quem renasce? Brumadinho”, afirma a dona de casa Dione Ferreira de Paula da Silva.
E, assim como as sementes ao vento, levando mensagens de esperança em dias melhores.
“Então, tem que ajudar Brumadinho, tem que visitar Brumadinho, tem que curtir a Serra da Moeda, tem que curtir o turismo, que é a base do nosso município. É a natureza. Vem para cá porque, cada um, se for uma formiguinha, no final faz uma ação gigante”, disse o instrutor de voo livre Glayson de Castro.
Fonte: JN
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