
01/10/2019
Após um mês de ação das Forças Armadas na Amazônia, o número de queimadas diminui em setembro enquanto que o desmatamento aumentou, se comparado com o mesmo período do ano passado. Os dados são do Programa Queimadas e do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), ambos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Foram computados, até 28 de setembro, 19.195 focos de incêndio no bioma Amazônia, uma queda de 22% se comparado com os 24.803 no mês inteiro no ano passado. Já o desmatamento, cujos dados foram registrados até dia 19 de setembro, aumentou para 1.173 km². Nos trinta dias de setembro de 2018, o desmatamento registrado foi de 739 km², um crescimento de 58%.
Segundo especialistas, as queimadas são a etapa final do processo de desmatamento ilegal. Primeiro, as árvores são cortadas e deixadas no solo para secar. Meses depois, coloca-se fogo para "limpar" o terreno.
Em agosto, diante do aumento do número de queimadas na Amazônia e da pressão brasileira e internacional, o presidente Jair Bolsonaro publicou o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), para combater os incêndios na floresta. A medida, que tinha vigência de um mês, foi prorrogada por mais um , valendo até 24 de outubro. Por conta da GLO, militares passaram a ajudar no combate às queimadas e ao desmatamento ilegal na Amazônia.
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, comemorou os resultados do primeiro mês da ação da GLO para combate a incêndios na Amazônia, mas disse que as Forças Armadas alertaram sobre o uso dos militares para esse tipo de atividade. “As Forças Armadas não podem ser chamadas a toda hora”, disse o ministro. No primeiro mês de operação, a GLO custou R$ 49,5 milhões à União. Um total de R$ 86 milhões foram liberados pelo governo para custear a operação.
Segundo dados obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo, um documento do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que compilou informações de 24 de agosto a 24 de setembro — durante o primeiro mês de vigência da GLO — o total de bens apreendidos pelo órgão foi de aproximadamente 1.909m² de madeira, menos que a metade apreendida no mesmo período do ano passado, que foi de cerca 5.264m². A diferença é que neste período em 2018, não ocorreu nenhuma operação especial.
Outro número que apresentou queda foi a quantidade de multas aplicadas pelo Ibama, no primeiro mês de operação da GLO. De acordo com um documento obtido pelo Globo, a queda foi 50,3% em relação ao mesmo período do ano passado, quando os militares não estavam na região com o objetivo de combater queimadas e desmatamento. O documento mostra ainda que o Ibama enviou os dados aos militares para solucionar “eventuais problemas” e melhorar o desempenho da missão.
Procurado, o Ministério da Defesa, em nota, afirmou que a “efetividade da Operação Verde Brasil (nome dado à GLO) é comprovada por meio dos resultados alcançados desde a decretação da Garantia da Lei e da Ordem Ambiental”, defendeu a “efetividade” da ação e disse que a presença dos militares “inibe comportamentos e ações ilegais”, o que explicaria a queda nas multas.
Fonte: O Globo
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