
01/10/2019
A empresa Salmon Group, que responde por 12% da produção de salmão da Noruega, informou que não vai mais usar soja brasileira na alimentação dos peixes.
Ao G1, a companhia afirmou que o objetivo é diminuir seu papel nas emissões de carbono na atmosfera e que a decisão não tem relação com as queimadas na Amazônia — o país é o principal doador do Fundo Amazônia.
A pegada de carbono é uma medida internacional que calcula o total de gases que vão para a atmosfera em decorrência, por exemplo, da fabricação ou cultivo de um produto. No caso de um produto agrícola, leva-se em conta o que foi gerado desde o plantio, passando pela colheita até o transporte da matéria-prima à indústria.
O veto foi anunciado pelo Salmon Group no último dia 20. A empresa disse que se baseou em um estudo de sustentabilidade elaborado em novembro de 2018.
"Trabalhamos sistematicamente com assuntos relacionados à sustentabilidade há muito tempo e, no ano passado, lançamos nosso estudo de viabilidade", afirmou a companhia, sem detalhar o que o estudo apontou sobre a soja brasileira.
Perguntada sobre o impacto que a decisão tem sobre o agronegócio, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, minimizou o caso.
O Salmon Group disse ainda que comprava 12 mil toneladas de soja do Brasil por ano. Isso equivale a 0,01% das 83,8 milhões de toneladas exportadas pelos produtores país em 2018.
"Para vocês verem os números, quanto de salmão eles alimentam lá? É uma questão comercial e eu acho que nós estamos fazendo muita repercussão em cima de um assunto pontual. Se eles não querem importar soja do Brasil, paciência, mas é muito pequeno esse comércio entre Brasil e Noruega", completou, em entrevista após reunião com os representantes de Rússia, Índia, China e África do Sul, que formam com o Brasil os chamados Brics, em Bonito (MS).
Procurada pelo G1, a associação que representa as indústrias exportadoras de soja do Brasil (Abiove) não quis comentar o assunto.
Declarou apenas que tem "compromissos ambientais fortes", citando a Moratória da Soja, um pacto segundo o qual indústrias se comprometeram a não comprar o grão de áreas desmatadas da Amazônia.
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