
26/09/2019
"Eu sempre disse a ele: ´filho, cuidado com suas ações e atitudes. Você é o guardião do meu coração´. E ele respondia: ´eu sei mãe, você diz isso todos os dias´. Sepultaram meu coração." O desabafo é de Andresa Rodrigues, mãe do engenheiro Bruno, que morreu soterrado pelos rejeitos da barragem da Vale em Brumadinho, no dia 25 de janeiro.
Passados 244 dias do rompimento, os familiares das 270 vítimas que morreram sob a lama ainda esperam por justiça. As polícias Civil de Minas Gerais e Federal ainda trabalham nos inquéritos criminais sobre o desastre. Ninguém foi preso.
Ambas as corporações dizem que aguardam a perícia sobre o que causou o rompimento da barragem para concluírem os inquéritos. Não há prazo para a finalização dos trabalhos.
Na semana passada, a Polícia Federal concluiu o inquérito administrativo e indiciou treze funcionários da Vale e da TÜV SÜD por falsidade ideológica e uso de documentos falsos.
Andresa se tornou voz e rosto conhecidos entre os parentes de quem morreu no dia 25 de janeiro e hoje lidera a Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Por trás do semblante triste, de quem perdeu o único filho, recém-formado em engenharia e com uma vida inteira pela frente, ela reúne forças para buscar, todos os dias para, um desfecho para a tragédia.
Desde o dia 25 de janeiro, quando recebeu a notícia de que o filho estava entre as vítimas, Andresa está presente em reuniões, homenagens, audiências, entrevistas e até ao lado do Corpo de Bombeiros, acompanhando as buscas pelas 21 vítimas restantes. Até agora, 249 pessoas foram localizadas.
O filho dela está nesta lista. O corpo dele foi encontrado 101 dias após a tragédia da Vale, no dia 6 de maio. Bruno Rodrigues teria completado 27 anos em março.
Nesta quarta-feira (25), por meio de nota, a Polícia Civil disse que "o inquérito que investiga as causas do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, já acumula mais de 3 mil páginas impressas. Mais de 170 pessoas já foram ouvidas. Outros depoimentos ainda estão sendo colhidos. O inquérito encontra-se em estágio avançado e por questões estratégicas a Polícia Civil não divulga prazo determinado para conclusão de trabalhos investigativos".
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