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Número de invasões a terras indígenas em 2019 já supera o do ano passado, aponta relatório

26/09/2019

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade ligada à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), afirma que o número de registros de invasões de terras indígenas em 2019 já supera com folga o montante registrado no ano passado. De acordo com a entidade, de janeiro a setembro de 2019 são 160 registros de invasão contra 109 em 2018. O número de estados em que foram registrados os atos subiram de 13 para 19.
O relatório anual divulgado pela entidade mostra que o número já tinha crescido em 2018 na comparação com 2017, quando foram registradas 96 invasões.
— As violências se intensificaram no que tange a invasão dos territórios. O que temos notado desde o governo Temer, é que eles [os invasores] não se preocupam com a legalidade, escancaram o crime na invasão. Chega a ter casos de loteamento. O madeireiro invade, explora a terra e limpa essa área para a ser usada para a especulação imobiliária — afirmou Roberto Liebgott, coordenador do Cimi.
Durante o evento, os integrantes da mesa criticaram o pronunciamento do presidente brasileiro na Assembleia Geral das Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorreu mais cedo, em Nova York, nos Estados Unidos.
Durante sua fala, Bolsonaro criticou o Cacique Raoni, que recentemente esteve com o presidente francês, Emmanuel Macron. O presidente brasileiro comparou a reserva Ianomâmi a Portugal e Hungria em tamanho territorial, destacando que “apenas 15 mil índios vivem na área demarcada”.
— A visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes alguns desses líderes, como o Cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia — disse Bolsonaro, que convidou a índia Ysani Kalapalo para participar da comitiva brasileira na assembleia.
Para Roberto Liebgott, a postura do presidente colabora com as invasões contra terras indígenas.
— O discurso do Bolsonaro hoje na ONU é a sinalização de que não tem perspectiva. O discurso teve esse objetivo, de sinalizar para o mundo que é ele que mostra como vai agir, independente de qualquer manifestação internacional. Para a política desse governo, a extinção seria o melhor negócio —, disparou.
Já o presidente do Cimi e arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi, classificou como “preocupante”, a posição adotada por Bolsonaro.
— Muito preocupante, porque o presidente revela uma visão que não respeita a Constituição. Ele simplesmente se coloca como um defensor dos povos indígenas quando, na verdade, a intenção dele, é o processo de integração que a Ditadura Militar levou à frente nos 60, 70. Ficamos preocupados, também, com essa manifestação pública contra lideranças indígenas, qualificando-as como manipuláveis. Temos que respeitar a história de lideranças como o Raoni que ele citou e tantas outras que demonstram um grande zelo e apreço pela história dos povos indígenas —, disse Dom Roque.

Fonte: O Globo

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