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´Temos direito a um futuro´: quem é a menina brasileira que protestou com Greta Thunberg na ONU

26/09/2019

Catarina Lorenzo, de 12 anos, nunca tinha ficado diante de tantas câmeras como na segunda-feira, 23 de setembro, quando subiu ao palco de um salão da sede do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em Nova York.
Mas a jovem surfista de Salvador, na Bahia, não se deixou intimidar. "Eu pensei: ´Vim aqui para mudar o mundo. Estou aqui para representar todas as crianças do mundo e fazer algo para acabar com as mudanças climáticas. Nada vai nos parar, nada vai conseguir me deter´", diz Catarina à BBC News Brasil.
A brasileira foi porta-voz — junto com outras 15 crianças e adolescentes de 12 países, entre elas a sueca Greta Thunberg, de 16 anos — de uma reclamação formal contra a postura de Alemanha, Argentina, Brasil, França e Turquia no combate às mudanças climáticas.
Elaborada pela ONG Earthjustice e o escritório de advocacia Hausfeld, a petição apresentada ao Comitê de Direitos das Crianças da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que estes cinco países não estão cumprindo compromissos assumidos para reduzir suas emissões de CO2 e, assim, ameaçam o bem-estar de crianças de todo o mundo.
"Estou aqui para exigir que todos os líderes do mundo nos ouçam e nos ajudem a parar as mudanças climáticas", disse Catarina, em inglês, diante da plateia no Unicef.
Assim como seus colegas, ela foi a Nova York para contar pessoalmente como a poluição e eventos climáticos extremos os está afetando diretamente.
"Em Salvador, o governo joga esgoto no rio, que vai para o oceano. E não podemos nadar ou surfar, porque senão ficaremos doentes. Estou falando isso porque é a coisa certa a dizer, essa é a verdade. É a nossa vida que está sendo prejudicada", disse Catarina.
"Se os adultos não quiserem nos ajudar, vamos agir sozinhos se for necessário, porque não vamos permitir que tirem nosso futuro de nós. Eles tiveram direito a ter seu futuro, por que não temos direito de ter o nosso?"
Catarina foi indicada para participar da iniciativa pela Heirs to Our Oceans (Herdeiros dos Nossos Oceanos, em tradução livre), uma organização dedicada a conscientizar sobre a importância das conservação dos mares e formar jovens líderes ligados a esta causa.
"Conversando com a Catarina, vimos que era muito apaixonada pela questão ambiental e queria estar envolvida com isso", diz Kimberly Fetsick, advogada do escritório Hausfeld e uma das responsáveis pela petição.

Saiba mais no G1

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