
24/09/2019
Maíra Rodrigues da Silva tornou-se, em 2017, a 1ª mestre quilombola da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em entrevista à série Nossa Gente, que comemora os 40 anos da EPTV, afiliada da TV Globo, ela explicou como encontrou, no contato com a natureza, uma forma de resistir preservando a natureza com um tratamento natural para o solo e os mananciais do Vale do Ribeira.
A comunidade de Ivaporunduva fica na região do município de Eldorado (SP) e tem como uma das principais características o cultivo da banana orgânica para comercialização. Neste local, nasceu Maíra, em 1991. “Eu saí de Ivaporunduva aos 18 anos e fui estudar em Campinas”, contou.
Mestre pelo Instituto de Geociências da universidade pública campineira, Maíra detectou que o Rio Ribeira de Iguape, que banha a região, sofreu uma intervenção por conta da extração de ouro no século XX. "Existe uma preocupação do que a gente tem na água, se isso interfere ou não na produção que está à margem do rio".
Com a fitorremediação (processo que usa plantas para purificar ambientes contaminados), a mestre descobriu que a Canavalia ensiformis, popularmente conhecida como feijão-de-porco, poderia auxiliar na redução da poluição às margens do rio.
"A água é fertilizante natural de todo esse leito. O método era tentar diminuir a poluição usando uma planta que a gente já tivesse aqui", explicou.
Ivaporunduva foi formada no século XVII como quilombo por escravos e descendentes que foram trazidos de Angola, Guiné e Moçambique para trabalhar no garimpo do ouro.
"Eles contavam que a mineração, que os negros traziam o minério lá do meio do mato até a beira do rio", relatou Benedito Alves da Silva, líder comunitário de Ivaporunduva.
Ele contou que o quilombo nasceu quando a dona da fazenda que existia no local ficou doente e foi embora. Os escravos assumiram a propriedade. "Antes do quilombo não existia família. Nascia uma criança é era como nascer um bezerro no pasto, o ´amo´ que era o dono".
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