
19/09/2019
Nas últimas semanas, em meio a tantas informações preocupantes sobre desmatamento e incêndios na Amazônia, uma notícia curiosa e positiva chamou atenção.
Uma equipe de cientistas britânicos e brasileiros publicou um artigo no qual afirma ter encontrado a árvore mais alta da Floresta Amazônica.
E a planta gigante está rodeada de outras árvores enormes, de cerca de 80 metros de altura.
Os pesquisadores percorreram 220 quilômetros de barco e caminharam 10 quilômetros mata adentro até encontrarem um exemplar de 88 metros da espécie Dinizia excelsa, também conhecida como Angelim Vermelho, dentro de uma unidade de conservação estadual de uso sustentável— a Floresta Estadual do Parú, no Pará.
Essa Dinizia excelsa supera em 30 metros a árvore que detinha o recorde de altura até agora. O tronco tem 5,5 metros de diâmetro.
Para comparação, a Estátua da Liberdade, em Nova York, tem 93 metros de altura, incluindo a base. O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, mede 38 metros da base até o topo da cabeça. Ou seja, a árvore encontrada na Amazônia é um pouco menor que o principal símbolo de NY e bem maior que a estátua mais famosa do Brasil.
A descoberta da equipe coordenada pelo professor Eric Bastos Gorgens, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), virou artigo na publicação acadêmica Frontiers in Ecology and the Environment, uma das mais conceituadas revistas de ecologia do mundo.
Entre 2016 e 2018, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) captou imagens de vastas extensões da Amazônia com tecnologia a laser. O Inpe rastreou 850 áreas de floresta, cada uma com 12 km de comprimento por 300 metros de largura.
Sete dessas áreas apresentavam evidências de ter árvores que superam os 70 metros. A maioria delas ficava na região do Rio Jari, afluente do Rio Amazonas, entre os Estados do Amapá e Pará — uma zona remota, de difícil acesso.
"Nós nos surpreendemos com a altura colossal da árvore mostrada pelas imagens do Inpe", escreveram os ecologistas Tobias Jackson, da Universidade de Cambridge, e Sami Rifai, da Universidade Oxford, coautores da investigação.
"Por isso, empreendemos a expedição para confirmar os achados com nossos próprios olhos e determinar a espécie dessas árvores gigantes."
Depois de seis dias de travessia no meio da selva, os pesquisadores chegaram à região das árvores gigantes. Para medir os troncos, eles escalaram e, do topo, simplesmente soltaram uma corda até o solo.
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